A pressão sobre Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do Rei Charles III, voltou a crescer no Reino Unido após o surgimento de novas acusações ligadas ao caso Jeffrey Epstein (1953–2019). Uma segunda mulher afirmou ter sido enviada pelo financista ao Reino Unido para um encontro sexual com o ex-príncipe, o que levou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a defender publicamente que Andrew preste depoimento ao Congresso dos Estados Unidos.
Segundo o advogado norte-americano Brad Edwards, que representa a mulher, o encontro teria ocorrido em 2010, quando ela tinha cerca de 20 anos, na Royal Lodge, antiga residência de Andrew. Após passar a noite no local, a mulher afirma ter recebido uma visita guiada ao Palácio de Buckingham e participado de um chá. A BBC informou que não foi possível confirmar a visita sem revelar a identidade da denunciante.
— Estamos falando de pelo menos uma mulher que foi enviada por Jeffrey Epstein ao príncipe Andrew. E ela chegou a fazer um tour pelo Palácio de Buckingham depois de passar uma noite com o príncipe Andrew — disse Edwards à emissora britânica.
De acordo com o advogado, a mulher não é britânica, e há a possibilidade de uma ação civil ser movida contra Andrew nos Estados Unidos. Edwards representa dezenas de sobreviventes de Epstein ao redor do mundo e também atuou em nome de Virginia Giuffre, uma das principais acusadoras do financista. Virginia afirmou ter sido forçada a manter relações sexuais com Andrew em 2001 e 2002, em Londres, Nova York e na ilha particular de Epstein no Caribe. Ela morreu por suicídio em abril do ano passado.
Andrew sempre negou qualquer irregularidade e também contestou as acusações de Virginia. Em 2022, ele fez um acordo financeiro para encerrar o processo movido nos EUA, com um pagamento estimado em US$ 12 milhões. No ano passado, perdeu seus títulos reais após o aprofundamento das revelações sobre sua relação com Epstein.
Diante do novo conjunto de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, Keir Starmer afirmou que o ex-príncipe “deveria estar preparado” para depor. Em viagem oficial ao leste da Ásia, o primeiro-ministro foi direto ao comentar o caso:
— Sempre defendi que qualquer pessoa que tenha informações deve estar preparada para compartilhá-las da forma que lhe for solicitada, pois não se pode ter uma postura centrada na vítima se não se estiver disposto a fazer isso.
O secretário de Comunidades do governo britânico, Steve Reed, seguiu na mesma linha ao comentar o assunto. Segundo ele, Andrew “claramente tinha conhecimento do que estava acontecendo” e deveria testemunhar.
— O princípio aqui é muito claro: Andrew Mountbatten-Windsor deve depor, porque as vítimas merecem e precisam que ele, e qualquer outra pessoa que possa ter testemunhado os fatos, o faça — afirmou Steve.
As novas revelações também incluem imagens divulgadas nos arquivos do caso Epstein que mostram Andrew descalço, agachado, com a mão sobre o abdômen de uma mulher caída no chão. Para Steve, as imagens são “muito perturbadoras”.
O caso marca mais um capítulo do desgaste público do ex-duque de York, que aparece com destaque no mais recente lote de documentos ligados a Epstein, tornando cada vez mais difícil para a monarquia britânica manter distância de um escândalo que segue produzindo desdobramentos políticos e judiciais.
Crédito da imagem: reprodução / Internet





