Ovação merecida

março 7, 2026

Canção censurada de Gilberto Gil e Chico Buarque provoca catarse coletiva em espetáculo de dança no Rio de Janeiro

Assim foi na noite da estreia, na última quinta-feira (05). O mesmo se repetiu na última sexta (06) e certamente tornará a acontecer neste sábado (07). Um número de “Bodas”, espetáculo com que a Focus Cia de Dança celebra seus 25 anos de perseverança, tem levado o público que lota o Municipal a irromper em aplausos em cena aberta. E a coreografia em questão é ao som de um hino à liberdade, vetado pela Censura Federal nos anos 1970.

O tema em questão é “Cálice”, obra-prima de Chico Buarque e Gilberto Gil. A versão utilizada pela Focus reúne algumas das mais belas vozes da contemporaneidade que interpretaram a canção. A mixagem une a voz atual de Chico às de Renato Braz, Breno Ruiz, Mario Gil e a do português Roberto Leão, além da de Milton Nascimento, ao lado de quem Chico gravou a canção. a escolha das vozes partiu do próprio Alex Neoral, diretor artístico e coreógrafo da companhia.

Braz, Breno, leão e Mário Gil gravaram a canção a convite do primeiro para seu álbum  “Canção Guerreira – Levantados do chão”, de 2018. Chico e Gil apresentaram a canção em apresentação recente da turnê “Tempo Rei”, de Gil. “Cálice” foi originalmente apresentada por eles no festival Phono73, promovido pelo Philips (hoje Universal), então gravadora dos dois artistas.

Com o país sob censura, o tom contestador do número obrigou os técnicos de som a cortarem o som dos microfones dos artistas. “Cálice” acabaria gravada por Chico (em dueto com Milton) em 1978, mesmo ano em que foi imortalizada na voz de Maria Bethânia no LP “Álibi”.

Créditos: Arquivo Gilberto Gil (alto) e Leo Aversa (cena)

Bailarinos da Focus numa cena de “Bodas”, espetáculo com que a companhia celebra 25 anos

 

 

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