O manuscrito do “Soneto da fidelidade” está lá. O mesmo vale para um dos muitos rascunhos de “Chega de saudade”, canção-inaugural da bossa nova. Esses dois itens são apenas dois dentre os mais de 300 objetos reunidos em “Vinicius de Moraes – Por toda a minha vida”, exposição que chega ao Museu de Arte do Rio (MAR) após passar pois duas instituições culturais patrocinadas por um mesmo branco no país.
Os visitantes são recebidos pelo retrato do Poetinha pintado por ninguém menos do que Candido Portinari (1903-1962). E assim foi com os privilegiados que, na noite da última sexta-feira (17, um dia antes de a mostra abrir para o público), conferiram a exposição, cuja curadoria é assinada pela ex-secretária municipal de Cultura Helena Severo juntamente com o poeta Eucanaã Ferraz, ele próprio ligado a projetos já realizados em homenagem ao escritor.
Ao levar sua poesia da literatura à canção popular, Vinicius acabaria por instaurar juntamente com Tom Jobim (1927-1994), um de seus parceiros mais frequentes, o marco inicial da música moderna no Brasil. A aproximação entre os dois dá-se pelas mãos de Lúcio Rangel, e os primeiros frutos da parceria são as canções para o musical “Orfeu da Conceição”, ao qual, aliás, é dedicada uma sala na qual estão, entre outros itens, a maquete do cenário projetado por Oscar Niemeyer (1907-2012).
Se os personagens em questão não estão mais entre nós, seus frutos estão e alguns deles lá estiveram para prestigiar a mostra. O evento marcou, por exemplo, o reencontro entre duas das filhas dos parceiros musicais: Georgiana de Moraes e a artista visual Beth Jobim. E dois dos netos do poeta – Júlia e Emílio, filhos do fotógrafo Pedro de Moares (1943-2022) – também.
Vinicius dizia que a alegria é a melhor coisa que existe. É “assim como a luz no coração”. Essa mesma que tomará os corações daqueles que visitarem a exposição. E, como diria o próprio homenageado, “entrai, irmãos meus”.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Cristina Granato (imagens)












