Para Ignácio de Loyola Brandão, ela “leva a sério o dom exigido por Graciliano Ramos” quando diz que “as palavras são para dizer, não para enfeitar”. E Loyola, gênio da raça, tem mesmo razão. Cronista e contista de mão cheia, Clarisse Escorel já pode muito bem ser apontada como um dos grandes talentos da nova cena literária brasileira. E dará mais uma prova disso com seu novo livro.
“O amor na sala escura” (Bazar do Tempo) representa um novo patamar galgado pela escritora: é o seu primeiro romance. A obra chega às livrarias em março com eventos de lançamento no Rio de janeiro (17 de março na Livraria da Travessa do Shopping Leblon) e em São Paulo (07 de abril na Livraria da Travessa de Pinheiros), cidade onde moraram seus avós e onde ela passou temporadas durante os estudos para o mestrado em Direito Internacional.
Sim, Clarisse atuou como advogada e, hoje, dedica-se integralmente à literatura, através da qual conquista leitores com obras preciosas como “Depois da chuva” (Ouro sobre azul), seu livro de estreia, e a plaquete “Diamantes” (Janela/Mapa Lab). Já “O amor na sala escura” é ambientado entre os anos de 1990 e 2000 e, na trama, a narradora revisita uma história de amor vivida na juventude e marcada por desencontros.
– O livro nasce do assombro diante da experiência amorosa precoce, do espanto diante do impacto da experiência de viver um grande encontro, de um desejo de decifrar o êxtase amoroso e suas dores e angústias, de cogitar respostas para uma série de perguntas, de esmiuçar o que carregamos sem perceber – explica a autora.
E ela percebeu cedo – e dentro de casa – que seu sarrafo deveria ser alto. Clarisse vem a ser neta do crítico literário Antonio Candido (1918-2017), figura lapidar para entendermos o Brasil, e filha do cineasta Eduardo Escorel, autor de obras-primas como o documentário “Isto é Pelé” (1874) e o longa “Lição de amor” (1975).
Clarisse Escorel é a prova de que quem sai aos seus não degenera. E mais: ela demonstra que pode trilhar seu próprio caminho com maestria.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Catarina Ribeiro (imagem)





