O eterno legado de Benito di Paula

outubro 19, 2026

Ícone da música será velado em cerimônia aberta ao público no Theatro Municipal de São Paulo

O último show foi ao lado do filho, Rodrigo Vellozo, dia 31 de julho deste ano na Zona Oeste de São Paulo. No palco, Benito di Paula participou do espetáculo intitulado ‘Benito 85’, criado pelo filho para celebrar os 85 anos que o músico faria em novembro. O show também marcou o lançamento do álbum Benito Di Paula – Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça, com dez releituras de criações de Benito, que faleceu domingo (18), vítima de câncer de próstata.

O músico nasceu em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, e começou a carreira artística como crooner em hotéis e boates na capital do Rio e em Santos, onde formou seu primeiro grupo. Sem nenhuma formação musical, ele era fã de Ataulfo Alves (1909-1969) e tocava piano quase como um instrumento de percussão. Quando lhe perguntavam como ele definia seu estilo, costumava dizer que era ‘sambeiro’ e ‘pianeiro’.

Embora tenha gravado vários compactos nos anos 1960, Benito lançou seu primeiro álbum em 1971, mas o sucesso só chegou dois anos depois, com o lançamento de canção “Retalhos de Cetim”. Daí pra frente veio uma sequência de sucessos, como “Charlie Brown”, “Do jeito que a vida quer” e “Amigo do sol, amigo da lua”. Seu estilo musical ganhou o nome de ‘sambão-joia’ (título que ele detestava) e é apontado como precursor do pagode romântico que dominou os anos 1990 com bandas como Raça Negra.

– Música tem que ser eterna, não chiclete, ensinava ele.

O visual de Benito também era único. Cabelos longos, anéis, colares e gravatas-borboleta faziam parte do seu inconfundível look desde o início da carreira, quando conquistou o público também como apresentador de TV no ‘Brasil Som 75’, da extinta TV Tupi. Ao longo da carreira Benito vendeu mais de 50 milhões de discos.

–  Eu sou o povo, meu diploma é da vida”, dizia Benito, que foi homenageado como enredo da Águia de Ouro no carnaval de São Paulo em 2025. O próprio músico foi destaque em um dos carros alegóricos.

Nas redes sociais, fãs famosos lamentaram a perda, como o eterno craque Zico:

– Um dos meus maiores ídolos. Que ele descanse em paz e Deus conforte os familiares e amigos, escreveu o ex-jogador.

Benito Di Paula era um ardoroso torcedor do Flamengo e homenageou a torcida do seu time na canção “Charlie Brown”. O Flamengo também se manifestou nas redes:

– O Clube de Regatas do Flamengo lamenta profundamente o falecimento de Uday Vellozo, o nosso eterno Benito Di Paula. Rubro-negro apaixonado e gênio da música brasileira, Benito revolucionou o samba ao uni-lo ao piano, deixando um legado imortal na nossa cultura.

O velório será nesta terça-feira (20) no Theatro Municipal de São Paulo das 9h às 15h. A cerimônia será aberta ao público.

 

Créditos: Bianca Portugal (texto) e Reprodução/Internet (imagem)

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