Desde as primeiras imitações em bares e programas de rádio em Fortaleza (CE) até chegar ao reconhecimento nacional, Tom Cavalcante é uma das vozes mais importantes do humor nas últimas décadas. Ele começou sua trajetória artística ainda muito jovem — e logo conquistou o público com personagens que viraram clássicos como João Canabrava e Ribamar, marcando época em programas como “Escolinha do Professor Raimundo” e “Sai de baixo”. Ao longo de mais de 40 anos de carreira, Tom transitou por emissoras, criou espetáculos solo, comandou programas de TV e, hoje, continua reinventando seu humor em shows no teatro, sempre com casas lotadas. Na próxima sexta-feira (07) ele subirá ao palco do Qualistage, Rio de Janeiro, como uma das atrações do “Humor Contra-Ataca”, um dos mais bem-recebidos festivais dedicados à comédia por reunir diferentes gerações de humoristas. Nesta entrevista exclusiva ao NEW MAG, Tom fala sobre seu espetáculo, seu novo programa de TV, da importância dos bordões no humor, elenca seus ídolos da atualidade e rememora parceiros de estrada, como Chico Anysio (1931-2012), que foi o responsável por levá-lo à TV Globo.
Como será seu show no festival “Humor Contra-Ataca”? Você vai trazer seus personagens icônicos como o João Canabrava e o Ribamar?
Comparo meu espetáculo a uma tela de aplicativos onde o público poderá ter acesso aos meus stand-ups abordando temas variados que vão de política a experiências do meu dia a dia como cidadão, meus musicais que homenageiam ícones da música, meus personagens como Canabrava, Jarilene — a babá nada perfeita; Chagas — o homem galo; Venâncio — o último dos românticos do Golpe do INSS e minhas dezenas de imitações.
Qual ou quais humoristas da nova geração você admira e acompanha o trabalho, sejam eles homens ou mulheres?
Fico muito feliz em poder saber que o Brasil hoje é um celeiro de grandes estrelas do humor. Não dá para citar todos, mas vão aqui alguns: Diogo Portugal, a companhia Os Melhores do Mundo, Leandro Hassum, Danilo Gentili, Paulinho Gogó, Matheus Ceará, Whindersson Nunes, Flávia Reis, Fábio Porchat, Bruno Mazzeo, Lúcio Mauro Filho, André Lucas, Tatá Werneck, Dadá Coelho, Diogo Defante, Fabiana Karla, Igor Guimarães, Gregório Duvivier, Estevam Nabote, Ed Gama, Suzy Brasil, Rafael Infante, Katiuscia Canoro, Os Barbixas, além de muitos outros nomes que admiro.
Em março você vai estrear seu novo programa na televisão, o “Boom”, depois do grande sucesso do “Acerte ou caia” aos domingos. Depois de tantos anos no humor, como é descobrir-se apresentador?
O humor é uma escola que acaba te lapidando para os mais diversos segmentos do entretenimento. Não vem de hoje essa minha relação em atuar como apresentador. Ainda em Fortaleza, dei meus primeiros passos apresentando programas ao vivo pela TV Educativa, como “O botão milionário da sorte”. Depois fui apresentador do “Nordeste rural”, na TV Verdes Mares, afiliada da Globo. No “Show do Tom”, na Record, tive uma experiência e um aprendizado incríveis. São esses degraus que foram me construindo como apresentador. Nos game shows “Acerte ou caia” e no “Boom”, que tomara faça sucesso igual ao primeiro, um aspecto que me favoreceu foi poder ser eu mesmo com minhas brincadeiras e piadas, em vez de ser um apresentador engessado.
Não vemos mais atualmente na TV programas como o “Zorra total”, ou a “Escolinha do Professor Raimundo”, que tinham como característica o humor de bordão. Como você vê isso? Para você, o bordão é fundamental no humor?
Infelizmente, o humor não tem sido prestigiado na TV aberta. E é difícil aceitar isso num país onde o público ama rir! Temos “A Praça é Nossa”, do mestre Carlos Alberto de Nóbrega e seu elenco, lutando bravamente e com ótima audiência . Não é que o bordão seja fundamental, mas quando aplicado adequadamente numa sequência de exibições invariavelmente vai pegar entre o público.
Chico Anysio, além de descobrir talentos, também combateu o etarismo na televisão, chegando até a pagar salário para comediantes idosos mesmo fora do ar. Na sua relação com o Chico, o que você destaca de mais grandioso?
Chico foi um ser humano cheio de grandes qualidades. Além de dar oportunidade a milhares, sempre se destacou por esse lado franciscano de socorrer o próximo, fosse artista ou não. Seu desprendimento em dividir seu rico conhecimento me chamava muito a atenção. Eu e muitos podemos beber da sua fonte de sabedoria.
O humorista Léo Lins foi absolvido pela Justiça após uma condenação de oito anos de prisão por piadas consideradas ofensivas, e ainda ironizou o caso com um “chá-revelação”. Diante disso, você acha que vale tudo no humor? Para você, o humor precisa ser politicamente correto?
A expressão é livre nos seus vários estilos e variados públicos, mas não é meu estilo.
Você ganhou sua neta Antonella há pouco mais de seis meses. O que mudou na sua percepção de vida ao tornar-se avô mais uma vez?
É uma alegria que vem carregada de agradecimentos a Deus por ser parte desse milagre que é a vida!
Créditos: Bruno Nunes (texto e entrevista) e Rodrigo Zorzi (imagem)





