Maria Bethânia celebrou no palco – seu habitat natural e notório – as seis décadas de carreira completadas em 2025. E o resultado foi um espetáculo no qual a artista revisitou pontos da própria trajetória e ressignificou canções, conhecidas ou inéditas. “Maria Bethânia – 60 anos de carreira” estreou no Rio de Janeiro, em setembro do ano passado, e passou por outras duas capitais somente – São Paulo e Salvador (BA) – voltando à capital fluminense em janeiro deste ano.
E como cantado por Bethânia em 1975, “a festa continua”. A intérprete lança nesta quinta (08) três faixas do registro ao vivo e, na sexta (09), seus respectivos clipes. Os temas escolhidos são “Mares de Espanha”, de Angela Ro Ro (1949-2025); “Palavras de Rita”, de Rita Lee (1947-2023) e Roberto de Carvalho e “Diz que fui por aí”, samba de Zé Keti (1921-1999) e Hortêncio Rocha. As faixas prenunciam o registro ao vivo do show, gravado este ano, e que chegará às plataformas pela Biscoito Fino.
— Para mim, na minha leitura, o show comemorativo me traduzia e traduziu esses 60 anos de carreira – reconhece a cantora, destacando a fidelidade do registro à sua performance e à sua linha de pensamento: —O disco é o retrato do meu show: ele registra todo o pensamento, toda a afirmação política e musical, todos os meus prazeres, as minhas dores e reflexões, as minhas perguntas, as minhas respostas.
Gravada originalmente por Ro Ro no seu LP de estreia, lançado em 1979, “Mares da Espanha” foi interpretada pela primeira vez por Bethânia. A inclusão da música no show foi antecipada aqui, aliás.
Já “Palavras de Rita” vem de uma letra elaborada por Rita tendo Bethânia como destinatária. Os versos foram musicados postumamente por Roberto, e o resultado foi entregue à Abelha Rainha como era o desejo de Santa Rita de Sampa.
“Diz que fui por aí” é uma reverência ao início da sua trajetória e a Zé Keti, seu companheiro de cena (assim como João do Vale) no show “Opinião”, no qual Bethânia estreou em âmbito nacional cumprindo com louvor, em 1965, a missão de substituir Nara Leão (1942-1989).
— Que seja um caminho feliz para esse disco e para cada um que tiver vontade de ouvi-lo. Espero que sejam muitos.
Ah, serão. Afinal, o séquito de súditos que tem essa rainha é imenso. E o próprio tempo vai parar para ouvi-la.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Guilherme Nabhan (imagem)





