Maria Bethânia trocou a foto principal de seu perfil no Instagram por um registro ao lado de Gal Costa (1945–2022). O gesto marcou o início da homenagem à amiga neste sábado (26), dia em que Gal completaria 81 anos.
A cantora também compartilhou um vídeo com lembranças dos primeiros palcos que dividiram, quando mandaram fazer vestidos de linho iguais, mas cada uma à sua maneira: Bethânia de branco, Gal de preto. No peito, um girassol de cobre criado pela própria Bethânia era o único enfeite. Uma imagem que ficou guardada na memória de uma amizade nascida em Salvador, nos anos 1960.
A admiração de Bethânia pela amiga sempre foi muito além da cumplicidade nos palcos. Desde o início da carreira, ela reconhecia em Gal uma voz que não encontrava comparação, mesmo em uma geração de grandes intérpretes como Nara Leão (1942–1989), Sylvia Telles (1934–1966) e Maysa (1936–1977).
A pureza sonora, que lhe lembrava Dalva de Oliveira (1917–1972), era algo que considera até hoje divino. Foi esse timbre tão particular que inspirou “Caras e Bocas”, canção escrita por Bethânia especialmente para a amiga.
— Não conheço outro timbre, nem aquela pureza sonora numa voz feminina nesse período. Acho que a voz dela é uma coisa rara — declara.
A parceria atravessou décadas e rendeu encontros como “Esotérico”, nos Doces Bárbaros, “Sonho Meu”, no álbum “Álibi” (1978), e “Minha Mãe”, gravada para “A Pele do Futuro” (2018), último dueto das duas. O vídeo publicado por Bethânia reúne trechos dos documentários “O Nome Dela é Gal” (2017) e “Os Doces Bárbaros” (1976).
Gal, que morreu em novembro de 2022, aos 77 anos, também foi lembrada por Gilberto Gil, Djavan e Marina Lima. Gil recuperou um registro de 1994, em que aparece cantando “Folhas Secas” com a amiga na quadra da Mangueira.
Já Bethânia resumiu o sentimento na legenda de sua publicação: “Gal para sempre! O cristal na voz.”
Créditos: Érica Magni (texto) e reprodução/Instagram (imagem).





