‘O cinema de gênero tem força’

março 11, 2026

Diretor de "O agente secreto", Kleber Mendonça Filho fala sobre o processo criativo de seus filmes e relembra parceria com Sonia Braga

O diretor Kleber Mendonça Filho está muito perto de conseguir seu primeiro Oscar da carreira. À frente de “O agente secreto”, o cineasta brasileiro chega à cerimônia de premiação, marcada para o próximo domingo (15), com o longa indicado em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator — para Wagner Moura — e Melhor Direção de Elenco.

Conhecido por um cinema que mistura observação social, tensão política e referências históricas, Kleber costuma construir suas estórias a partir de um olhar muito particular sobre o Brasil. Ao comentar o processo de criação de “Bacurau”, por exemplo, ele relembra como a ideia do filme surgiu de uma conversa com parceiros de trabalho.

— Eu acho que o cinema de gênero tem uma força. Então falei para o Juliano Dornelles e a Emilie Lesclaux que a gente precisava se juntar e fazer um filme completamente louco e sem noção. Foi aí que começamos a desenvolver o que viria a ser “Bacurau”. E o clima do que estava acontecendo no Brasil fez o filme ficar de pé — conta o diretor.

As reflexões fazem parte da série “Cineastas”, dirigida por Hermes Leal. A produção mergulha no pensamento e no processo criativo de realizadores brasileiros, revelando influências, métodos de trabalho e bastidores da criação cinematográfica. Outros diretores como Walter Salles, Gabriel Mascaro e Sandra Kogut também foram protagonistas de episódios da série, disponível no CurtaOn.

No episódio dedicado ao diretor pernambucano, a conversa também revisita momentos importantes de sua filmografia, incluindo “O Som ao redor”, além de depoimentos de colaboradores próximos. Participam do episódio o próprio Juliano Dornelles, as atrizes Maeve Jinkings e Karine Teles, além da produtora Emilie Lesclaux, mulher do cineasta.

Já sobre “Aquarius”, ele explica a construção da protagonista interpretada por Sonia Braga.

— Não queria que, no filme, ela fosse uma coitada do ponto de vista financeiro. Ela é uma burguesa, inclusive arrogante, e pode dizer não. E aí os personagens entram numa guerrilha, numa guerra surda — arremata.

Posts recentes

Ela faz a diferença

Francesa radicada no Brasil reúne em livro murais como os criados por ela para o Copacabana Palace

Libelo pela liberdade

Thiago Soares dirige balé inspirado na ópera “Carmen” ambientando o clássico de Bizet na América Latina

Na grande área

A australiana Steph Strings, revelação do folk, virá pela primeira vez ao Brasil para shows no Rio e em São Paulo