O poeta e tradutor Paulo Henriques Britto tomou posse como novo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele agora ocupa a cadeira 30, que pertencia à crítica literária Heloisa Teixeira, falecida em março. A cerimônia aconteceu na sede da ABL, no Rio de Janeiro, na noite da última sexta-feira (12).
As acadêmicas Miriam Leitão, Fernanda Montenegro e Lilia Schwarcz, a diretora Isabel Diegues, filha do cineasta Cacá Diegues (1940-2025), e a cantora Adriana Calcanhotto estiveram entre os presentes.
Em discurso, Britto destacou o valor do reconhecimento:
— É muito importante, neste momento da minha trajetória, saber que uma grande instituição cultural dá valor ao meu trabalho.
Autor de 14 livros e tradutor de mais de cem títulos de nomes como Virginia Woolf (1882-1941), Thomas Pynchon e James Baldwin (1924-1987), o escritor prepara agora seu primeiro livro infanto-juvenil.
O novo acadêmico também prestou homenagem a Heloisa Teixeira, lembrando a histórica antologia “26 poetas hoje”.
— Percebi que eu e aqueles poetas tínhamos muito em comum: a sensação de não pertencermos ao mundo a que pertencíamos inevitavelmente, a repulsa aos valores autoritários e conservadores impostos a toda uma nação — afirmou Paulo Henriques.
A cerimônia ainda foi atravessada por um momento inusitado: o bloco Boi Tolo arrastava uma multidão passou em frente à sede da ABL comemorando a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF. Eles entoavam gritos de “sem anistia”. Alguns acadêmicos e parte do público se debruçaram nas varandas para cantar junto, numa cena que quebrou o protocolo e deu o tom da noite.
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