Noite histórica

novembro 8, 2025

Ana Maria Gonçalves toma posse na ABL e torna-se a primeira mulher negra imortal da instituição

Ana Maria Gonçalves entrou para a história ao se tornar a primeira mulher negra a tomar posse na Academia Brasileira de Letras (ABL). A escritora mineira assumiu a cadeira 33, antes ocupada pelo linguista Evanildo Bechara (1928-2025) em cerimônia realizada na noite da última sexta-feira (07) na sede da ABL, no Centro do Rio de Janeiro.

A nova imortal recebeu o diploma das mãos de Gilberto Gil e o colar da acadêmica Ana Maria Machado. Entre os convidados, o ator Lázaro Ramos, a escritora Conceição Evaristo, a atriz Luana Xavier e a apresentadora Regina Casé, acompanhada do marido, o diretor Estevão Ciavatta.

Em seu discurso, Ana Maria destacou a importância da diversidade e a necessidade de ampliar vozes dentro da instituição.

— Acredito que a discussão em torno da candidatura da escritora Conceição Evaristo em 2018 contribuiu para eu estar aqui hoje. Foi uma candidatura que fez a Academia olhar para si e perceber o quanto ainda falhava em representar todas as línguas faladas pelo nosso povo — afirmou.

A autora também dedicou o momento à família e à ancestralidade que a formaram.

— Sem esse núcleo de amor e apoio que nossa família sempre cultivou eu nada seria — disse, lembrando ainda que, por muito tempo, Domício Proença Filho foi o único negro entre os imortais e que a negritude de Machado de Assis foi negada durante décadas.

— Ainda somos poucos, para tanto trabalho de reconstrução de um imaginário em relação ao que representamos.

Ana Maria Gonçalves é hoje a mais jovem entre os atuais integrantes da ABL, aos 54 anos. O fardão usado na posse foi confeccionado por integrantes da Portela — escola de samba que levou às avenidas o enredo inspirado em seu livro “Um defeito de cor”, vencedor do Prêmio Casa de las Américas em 2007.

Publicitária por 15 anos antes de se dedicar integralmente à literatura, a escritora é também roteirista, dramaturga e professora de escrita criativa com passagens como residente nas universidades de Tulane, Stanford e Middlebury, nos Estados Unidos.

Crédito das imagens: Cristina Lacerda

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