Muito mais do que um jornalista; um humanista. Assim, de uma maneira apressada (típica da labuta jornalística) pode ser definido Zuenir Ventura. Representante do jornalismo exercido com excelência, escritor best-seller e mestre da crônica, Zuenir faleceu nesta terça (22), aos 95 anos. O corpo do escritor será velado nesta quarta-feira (23), na Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual era integrante. O enterro será no mausoléu reservado aos imortais no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.
Como jornalista, Zuenir esteve envolvido na cobertura – e na elucidação – de acontecimentos marcantes na vida nacional. Um deles foi o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, em 1988. Quando o Brasil parecia estar mais interessado em saber quem matara Odete Roitman, personagem de Beatriz Segall (1926-2018) na novela “Vale tudo’, Zuenir empenhou-se em jogar luz sobre aquele crime bárbaro. Ele acabou por atuar como uma espécie de tutor da única testemunha do crime: Genésio Ferreira da Silva, então com 13 anos e cuja integridade precisava ser preservada.
Este é apenas um dos muitos feitos de Zuenir que levaram-no a ser homenageado em 2008 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ele foi reconhecido na ocasião como um dos cinco jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos Direitos Humanos no Brasil. De fato, Zuenir sempre foi na profissão um ponto para além da curva. E esta marca foi latente ao longo da sua trajetória, que inclui publicações como Veja e o Jornal do Brasil, de cujo Caderno B foi editor ajudando a fazer dele referência no segmento.
Seus livros “1968 – O ano que não terminou” e, anos depois, “Cidade partida” são bíblias àqueles que se interessam pela História recente do país e pelas transformações pelas quais o Rio de Janeiro passou nas últimas décadas. O escritor ingressou na ABL em 2014, ocupando a cadeira de número 32.
Zuenir vivia recluso nos últimos anos em razão da idade avançada e de complicações relacionadas à saúde. Ele deixa a mulher, a também jornalista Mary Ventura, seus dois filhos – o jornalista Mauro Ventura e a empresária Elisa Ventura, ex-editora e dona da rede de livrarias Blooks – e netos.
Nesses tempos em que os jovens repórteres creem que a profissão pode ser feita pura e simplesmente via whatsapp, Zuenir Ventura precisa ser eternizado como um exemplo de que o bom jornalismo se faz com comprometimento e dedicação.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto), divulgação (imagem alto), Eliana Caruso (imagem 1), Cristina Granato e ABL








