Um mergulho na ancestralidade, na cura e na força coletiva marca a nova exposição de Jaime Lauriano, “Eu estou aqui com toda minha gente”. A mostra foi inaugurada na última quinta-feira (23) na Galeria Nara Roesler, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, e apresenta um conjunto de trabalhos inéditos e recentes que revelam uma fase mais introspectiva do artista, sem deixar de lado o caráter político e histórico que permeia sua obra.
Com texto crítico de Ademar Britto, a exposição propõe uma travessia entre o pessoal e o coletivo, entre a memória e o território. O título, emprestado da canção “A força da Jurema”, de Mateus Aleluia, Dadinho (1940-2000) e Heraldo, evoca os orixás, a cura e a herança afro-brasileira — temas que estruturam a trajetória do artista paulista.
No espaço principal da galeria, quatro esculturas da série “Pencas” formam uma espécie de oferenda à cultura afro-brasileira. A série remete às joias crioulas dos séculos XVIII e XIX, símbolos de resistência negra e patrimônio da Bahia. Os mapas — recorrentes na obra de Lauriano — também ganham destaque com “A new and accurate map of the world: democracia racial, êxodo, genocídio e invasão”, composta por dois grandes desenhos feitos em pemba branca e lápis dermatográfico sobre algodão preto.
Na parte dos fundos, sob a claraboia, o público encontra “O sobrado de mamãe é debaixo d’água”, série de sete obras que revelam um Jaime mais recolhido e sensível, produzidas durante o período em que ele enfrentou limitações físicas causadas por uma hérnia cervical.
A exposição fica em cartaz até 20 de dezembro. No fim de novembro, mês da Consciência Negra, será lançado o primeiro livro sobre o artista, “Jaime Lauriano — Mapeamentos” (Nara Roesler Books), publicação bilíngue que reúne textos de Tadeu Chiarelli, Keyna Eleison e Sylvia Monasterios.
Crédito das imagens: Murillo Tinoco







