Talento ele tem de sobra – e carisma também. Gael Miranda prepara-se para o mais novo desafio de sua carreira. Ele vai estrelar a peça “Brio 2026”, nova montagem assinada por Hamilton Vaz Pereira, que estreia nesta sexta-feira (23) no Teatro Domingos Oliveira, no Planetário da Gávea, Rio de Janeiro. Em cena, Gael integra o elenco de 13 atores do espetáculo e interpreta um cupido nada convencional.
— Faço um cupido, um cupido tarado, que tenta juntar duas pessoas, mas ele não consegue — diverte-se o ator, em entrevista exclusiva ao NEW MAG.
A figura cômica, no entanto, serve como porta de entrada para questões mais profundas, segundo Gael:
— Apesar da camada de comédia, o texto provoca uma reflexão sobre o que escolhemos ser e até que ponto estamos dispostos a abandonar nossa essência em troca de uma vida considerada estável.
Escrita e dirigida por Hamilton, a peça propõe uma suspensão da realidade e se afasta deliberadamente de narrativas sombrias. O autor convida o público a imaginar o teatro como um abrigo simbólico — uma casa, um oásis, um barco à deriva ou até uma nave espacial — onde é possível pensar a existência humana com mais liberdade. “Brio 2026” fala de sonhos, fracassos, afetos e da necessidade de domínio de si para atravessar as adversidades do cotidiano.
Dividido em dois atos, o espetáculo apresenta, no primeiro, adultos observando o momento em que jovens se descobrem diante do mundo adulto. No segundo, são os jovens que sugerem o que acontece quando amigos se reencontram no futuro, já atravessados pelo tempo e pelas escolhas feitas ao longo da vida.
Para Gael, o encontro com Hamilton representou uma virada de chave na forma de enxergar o ofício:
— Trabalhar com o Hamilton é um presente. Ele me deu uma visão muito diferente do que é teatro, principalmente o teatro de vanguarda. Entendi que o trabalho do ator não é só estar ali em cena. Existe também o trabalho de captar público, de estar presente. Criar tudo do zero, dentro de uma nova linguagem, foi muito enriquecedor.
Com passagem pelo teatro de rua no Coletivo Circular, no espetáculo “Todo Mundo Vai Morrer”, de Camilo Pellegrini, e por montagens como “A gaivota” e “O sol de Manoel de verão”, o ator vê em “Brio 2026” um desafio estimulante.
— O maior desafio é entender essa proposta que o Hamilton desenvolve desde os anos 1970. Para mim, é muito divertido — arremata.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e Pino Gomes (imagem)





