Glauber Rocha (1939-1981) fez mais do que deixar uma marca autoral indelével no nosso cinema. Irrequieto, questionador e inventivo, influenciou através de suas falas, ideias e de seu olhar sobre o Brasil revoluções culturais que têm no Cinema Novo e na Tropicália dois dos seus principais expoentes.
O legado deste diretor – cujo cinema é tão imenso quanto nosso próprio cinema – será discutido num documentário inédito. E realizado por dois nomes que conviveram com ele bem de perto (para utilizarmos um título de Júlio Bressane): a diretora Paula Gaitán, viúva do cineasta, e pelo filho do casal, o também diretor Eryk Rocha (responsável pelos ótimos documentários sobre Jards Macalé).
“Da fome ao sonho” tem seu roteiro desenvolvido a partir de conversas realizadas entre Paula e Richard Peña, professor da Universidade de Colúmbia, nos EUA, e que, anos a fio, foi responsável pela programação de cinema do Lincoln Center, importante polo cultural em Nova York. O filme será exibido pela primeira vez na próxima quarta-feira (11), às 21h30m, com exclusividade pelo canal Curta, que viabilizou a produção.
– Suas teses cabem na discussão que continua sendo, e sempre existiu: o que é um filme político? É só o filme que tem informação? O que provoca ação? Ou o que tem outras definições, como ele (Glauber) disse, mas para abrir especulações filosóficas? – elenca o entrevistado sobre o homenageado.
A relação entre arte e política é apenas um dos temas levados ao projeto, no qual Peña reflete também sobre a produção audiovisual realizada entre os anos 1960 e 70 – e que teve em Glauber um dos seus principais representantes.
– Glauber fez o que ele queria. E isso inspira muitas pessoas. Para mim, a grande lição de Glauber é que dá para fazer cinema político. E fazer de forma irracional, você não pode seguir modelos. Tem que incluir sentimentos, não só informação – arremata o acadêmico.





