O audiovisual brasileiro segue em bom momento — e a passagem do país pelo Ventana Sur 2025, na Argentina, comprovou isso mais uma vez. Na última sexta-feira (05), em Buenos Aires, “Lusco-fusco” foi um dos grandes destaques da mostra Copia Final ao conquistar três prêmios importantes para sua trajetória internacional.
Dirigido por Bel Bechara e Sandro Serpa, o longa foi reconhecido com o Prêmio Cine+ OCS, o Prêmio Estúdio Prata e o Prêmio Send Files. A obra já é apontada como um dos títulos brasileiros mais fortes do próximo ciclo de festivais.
O Ventana Sur — um dos eventos da indústria audiovisual mais importantes da América Latina, reunindo produtores, compradores, distribuidores e players estratégicos — serviu como vitrine para a produção. O filme chamou atenção ao tratar, de forma sensível e contundente, temas como violência doméstica, alfabetização tardia, desigualdade estrutural e alianças femininas.
Estrelado por Sandra Corveloni, vencedora da Palma de Ouro de melhor atriz por “Linha de Passe”, de Walter Salles, e Daniela Thomas, o longa é ambientado em uma escola pública, e acompanha três gerações de mulheres: Vera, jovem professora presa a um relacionamento abusivo; Alda, a faxineira que nunca teve acesso pleno à educação; e Joana, neta de Alda e aluna de Vera, que se torna elo vital entre as duas. A força do filme nasce justamente desse encontro — um território íntimo de proteção e sobrevivência feminina, em que pequenos gestos representam resistência.
Produzido por Rafaella Costa pela Manjericão Filmes, em associação com a Macondo Filmes, o projeto mantém a assinatura da produtora: obras politicamente atentas, dirigidas ou protagonizadas por mulheres e pensadas para atravessar fronteiras. “Lusco-fusco” também é fruto de um processo amadurecido — Bel Bechara e Sandro Serpa já somam uma filmografia consistente, entre ficção e não ficção, com títulos exibidos em espaços como a Semana da Crítica de Cannes e o Festival de Berlim.
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