Othon Bastos voltou para casa como raras vezes se vê na cultura brasileira: em cena e profundamente amado por sua própria gente. No último domingo (30), o ator apresentou o monólogo “Não me entrego, não!” na Praça Matriz de Tucano (BA), encerrando uma semana histórica para a cidade.
A programação começou dias antes, como antecipado aqui, quando Othon retornou ao município após décadas para reencontrar suas raízes e participar de uma série de homenagens que mobilizaram toda a região. A Mostra de Filmes Othon Bastos exibiu clássicos de sua trajetória em sessões gratuitas para estudantes da rede pública.
No coração da cidade, a exposição “Conterrâneo”, montada pela Secretaria de Turismo, Desenvolvimento Econômico e Cultura, transformou a Praça da Igreja Matriz em território de memória afetiva: uma celebração das origens, da paisagem sertaneja e da figura de Othon como símbolo de pertencimento.
Em sessão solene presidida por Wilker Macedo, o ator recebeu a Comenda Padre José Gumercindo — a mais alta honraria do município. A cerimônia marcou um dos momentos mais emocionantes da semana, acompanhada por moradores, autoridades e amigos. Entre os presentes, o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, percorreu cinco horas de estrada desde Salvador para prestigiar o conterrâneo e não conteve as lágrimas. A irmã do ator, Kátia Bastos, única ainda viva, também esteve ao lado dele.
Nos bastidores da homenagem, um pedido simples virou transformação: Othon manifestou ao prefeito Ricardo Maia Filho o desejo de que Tucano tenha um cine teatro. Ali mesmo, diante do público, o prefeito assumiu o compromisso de erguer o maior teatro do interior da Bahia, previsto para 2026.
O domingo de apresentação coroou a intensidade da semana: cerca de 5 mil pessoas lotaram a Praça da Matriz para assistir ao monólogo “Não me entrego, não”. O carinho era visível — Othon, apelidado de “fofinho” pelos moradores, foi recebido com abraços, beijos e histórias que atravessam gerações, incluindo participações de parentes que mantêm viva a tradição dos contadores de histórias do sertão.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e Cristina Granato (imagens)














