‘Festejo essa coincidência’

janeiro 16, 2025

Marcelo Várzea celebra o fato de mostrar seu talento no cinema, nos aclamados "Baby" e "Ainda estou aqui"

Durante a temporada de “De perto ninguém é normal”, no Sesc da Avenida Paulista, Marcelo Varzea sequer imaginava que seu desempenho chamaria atenção de produtores de elenco de dois dos filmes brasileiros mais incensados no exterior atualmente. Eles são “Ainda estou aqui”, de Walter Salles, e “Baby”, de Marcelo Caetano. Criado na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, Várzea festeja em conversa com NEW MAG a boa fase na carreira e a possibilidade de viver diferentes tipos também no cinema.

– Comecei na comédia interpretando tipos que ficavam naquele limiar entre o gauche e o pateta. Fui ficando mais velho e percebo essa  virada de chave na minha trajetória – celebra o ator de 58 anos, destacando os tipos aos quais precisou dar vida no cinema: – Agora me chamam para o policial e para viver um cara branco, rico e babaca.

O personagem em questão é Alexandre, seu papel em “Baby”: um  homem bem-sucedido de meia idade, que se envolve com o personagem-título do filme, interpretado por João Pedro Mariano.

A preparação para as cenas envolveu um cuidado semelhante ao exigido dos atores em uma produção de teatro. O comportamento e as características  dos personagens foram discutidas como se fosse numa leitura de mesa, com o diretor considerando o ponto de vista de cada um, sem falar nos ensaios, realizados alguns dias antes das filmagens.

– Não quis tratar o personagem como um sugar daddy somente. Busquei humanizá-lo, afinal tenho amigos que se encaixam naquele perfil. A maioria dos meus amigos e os da minha mulher são gays  – reconhece Várzea, que festeja o fato de o personagem rico ser minoria no filme.

O fato de ouvir a opinião dos atores é apontado por ele como um diferencial em Marcelo Caetano. Varzea assistira a “Corpo elétrico”, filme anterior do diretor, e o admirava pelo trabalho na escalação do elenco para longas como “Aquarius” e “Bacurau”, ambos de Kléber Mendonça Filho. E o convite para participar de “Baby” pegou o ator de surpresa:

– Estava de boa em casa quando recebi mensagem do Marcelo pelo celular. Ele disse que estava de olho em mim há um tempo e queria me ouvir, saber minhas opiniões e o que penso da vida, o que chamou minha atenção. Geralmente somos escalados para um papel pelo nosso tipo físico. É raro um diretor se interessar pelo que pensamos.

Varzea saúda o flerte com o cinema sem descuidar dos projetos relacionados ao palco, base da sua formação. Ele segue firme com o Coletivo Impermanente, cujo espetáculo “O que meu corpo não te conta” faz sucesso em São Paulo há quatro anos. O novo projeto do grupo está em gestação, e terá a colaboração de John Marcatto.

– A partir de 2017 atuei muito em musicais, pois as contas estão aí e não param de chegar. Minha carreira não foi construída no cinema, mas festejo essa sutil e maravilhosa coincidência de fazer dois filmes que estão sendo exibidos concomitantemente. Que venham mais e mais oportunidades! – arremata o ator.

E, pelo que pode ser visto na telona, novas oportunidades virão. Questão de tempo. E ele só fez bem a Marcelo Varzea.

Crédito da imagem: Lucas Gatto

Posts recentes

‘Temos uma sociedade muito careta’

Prestes a estrear cinebiografia de Ney Matogrosso, Jesuíta Barbosa conta como criou seu personagem, fala sobre visibilidade e sexualidade e comenta os remakes na TV

Detalhes de um processo

O advogado Eurico Teles lança livro em que detalha um dos mais importantes casos de recuperação judicial do país

Rainhas eternas

Rita Lee e Marília Pêra são homenageadas em filmes que abrem festival que acontece concomitantemente no Rio e em São Paulo