A relação entre religião, poder e ambição é tênue. E está no centro do debate das eleições deste ano. E também no cinema. “Justino: nos bastidores do Reino” acompanha a trajetória de um homem que encontra em uma igreja neopentecostal a possibilidade de mudar de vida. A produção, inspirada na vida do ex-pastor Mário Justino de Souza, aborda o crescimento dessas instituições e sua influência na sociedade brasileira a partir das escolhas e contradições de seus personagens. Caio Blat e Bruno Garcia interpretam, respectivamente, um bispo e um pastor, e falaram com NEW MAG sobre como chegaram aos personagens.
— Meu personagem vê a igreja crescer muito e monta um projeto de poder: compra rádios, compra televisão e cria um partido político para entrar na política e formar uma bancada evangélica. É um fenômeno que temos de entender com cuidado — afirmou Caio na noite da última quinta-feira (08), antes da exibição do filme no Festival do Rio.
O ator chamou atenção para a importância da exibição do longa dirigido por José Eduardo Belmonte às vésperas do segundo turno do pleito no país, que acontecerá no dia 25 deste mês:
— A gente quer mostrar esse filme principalmente neste momento, em que estamos no meio de uma eleição. Ele fala sobre o voto do público evangélico e sobre como vamos dialogar, respeitar e conversar com esse público. Nenhum candidato hoje será eleito sem dialogar com ele. É um filme que fala sobre a realidade do Brasil.
Já Bruno Garcia precisou se aprofundar nas particularidades desse universo para construir seu personagem. A preparação passou pela observação da maneira como essas lideranças se comunicam com os fiéis, especialmente durante os cultos.
— Foi bastante desafiador, porque um pastor tem formas específicas de se colocar e uma oratória muito própria. Procurei assistir a vídeos de pastores em seus púlpitos e também tive a assessoria luxuosa do amigo Zezé Barbosa Júnior, que é pastor evangélico, um pastor progressista, um cristão real, que tem todas as características de um pastor confiável e que me ajudou muito na construção — contou Bruno.
A passagem pelo Festival do Rio acontece depois de “Justino: nos bastidores do Reino” conquistar dois Kikitos no Festival de Gramado: Melhor Ator, para Christian Malheiros, que interpreta Justino, e Melhor Montagem, para André Finotti e para Belmonte. O longa também recebeu menção honrosa para a atriz Onna Silva. Com Antonio Pitanga no elenco, a produção chega ao público carioca antes do lançamento comercial, algo que Bruno considera importante.
— É um orgulho. O filme acabou de vir de Gramado, onde fomos belamente premiados com dois Kikitos. Mesmo estando na mostra não competitiva, é de uma importância enorme que o público carioca possa ver o filme nas telas, porque o filme está demais — completou.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e Christian Rodrigues (imagens)





