‘Uma nova política’

outubro 11, 2025

Walkiria Barbosa fala sobre as perspectivas para a indústria audiovisual brasileira, parcerias com novos países e antecipa detalhes do RioMarket 2026

O futuro da indústria audiovisual brasileira promete ser promissor. Walkiria Barbosa, presidente da Federação da Indústria e Comércio Audiovisual (FICA) e diretora do RioMarket e do Festival do Rio, falou em entrevista exclusiva ao NEW MAG sobre os desdobramentos da edição 2025 do evento de negócios do festival. O RioMarket termina neste sábado (11) no Armazém da Utopia, Zona Portuária do Rio de Janeiro. 

O encontro deste ano, cujo tema foi “A construção da nova indústria do audiovisual brasileiro”, foi marcado por avanços na consolidação de políticas públicas para o setor. Conforme antecipado aqui, a partir de agora, o audiovisual foi reconhecido como indústria e integra o programa Nova Indústria Brasil, iniciativa do Governo Federal. 

Dentro da política da Nova Indústria Brasil, foram aprovados 11 eixos estratégicos — entre eles, o de exportação, segundo Walkiria. 

— Estamos estruturando o caminho para a implantação da nova política de exportação e definindo como o mercado precisa se organizar para isso. O que fizemos no RioMarket foi alinhar todos os agentes e acelerar os trabalhos — afirma a diretora. 

A executiva explica que o RioMarket tem funcionado como um espaço de articulação entre governo e iniciativa privada:

— Discutimos temas essenciais como combate à pirataria, novos modelos de financiamento e formação profissional. Vamos criar um grupo operacional de trabalho com participação do governo, da Receita Federal, de associações e de representantes do setor audiovisual.

Entre as prioridades para o próximo ano, está a ampliação das parcerias internacionais com nações que fazem parte do BRICS.

— Em 2026, o RioMarket e o Festival do Rio vão ter um grande foco nesses países. Faremos um novo Foco China, como o de 2008, para aproximar os mercados e atrair investimentos para o parque exibidor brasileiro — diz Walkiria, que prossegue: — A China tem 98 mil salas de cinema, que ficam sempre lotadas, e políticas sólidas de formação de público desde a escola.

Mesmo com a nova atenção voltada ao BRICS, o diálogo com outros países seguirá ativo, explica Walkiria: 

— Não deixaremos de trabalhar com países da Europa como França, Itália e Portugal ou com os Estados Unidos. O BRICS é um foco estratégico, mas estamos ampliando o alcance dos acordos já firmados, como o que assinamos com a China e o que será assinado em breve com a Indonésia.

Walkiria também mencionou o estudo realizado pela Oxford Economics, apresentado na abertura da FICA, que revelou o impacto do setor audiovisual no PIB do Brasil, estimado em 0,6%. No entanto, ela acredita que esse número é ainda maior.

— Acredito que o impacto real seja superior a isso. O estudo não incluiu o mercado de games, que é enorme, nem as Big Techs, que, apesar de se posicionarem como empresas de tecnologia, geram receita com conteúdos audiovisuais. Esse é um debate importante que já está sendo tratado com as autoridades competentes.

A sustentabilidade, que será foco de amplos debates na COP30 em Belém, também entrou em pauta no RioMarket. 

 — Reunimos grandes nomes da área para estruturar um trabalho conjunto contra o negacionismo climático, isso é muito importante — arremata.

Créditos: Bruno Nunes (texto) e Eny Miranda (imagem)

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