Dos quadrinhos de Laerte Coutinho para as telas, “Overman – O Filme” traz Maria Lucas em seu primeiro grande papel no cinema. A atriz, nascida e criada na Rocinha, interpreta Poline Pilsen, a maior influenciadora das Américas, uma mulher trans que conquistou espaço e poder em um universo masculino.
Na trama, ela contrata Overman, vivido por Caco Ciocler, para protegê-la, mas acaba sequestrada. Entre confusões e reviravoltas, a personagem se torna a bússola moral do super-herói, tão poderoso quanto atrapalhado. O longa terá pré-estreia na mostra Midnight Movies do Festival do Rio, dia 6 de outubro, e chega aos cinemas no dia 22 do mesmo mês.
O encontro de Maria com o universo de Laerte carrega uma identificação que ultrapassa a ficção. Mulher trans, a cartunista construiu uma obra marcada pelo humor ácido, pelo deboche e pela crítica às convenções sociais, atravessando questões de gênero, identidade e liberdade. Única pessoa trans no elenco, Maria defende oportunidades que não se limitem a narrativas sobre identidade de gênero.
— Eu não sou só trans, eu sou uma mulher, uma atriz, com bastante bagagem de trabalho e de vida — afirma.
Com mais de uma década de carreira, Maria participou da novela “Fuzuê” e da série “Falas de Orgulho”, além de dar voz à personagem Marcela Diaba na animação “Coração das Trevas”. Autora de dois livros, venceu o concurso de ensaios da Revista Serrote, do Instituto Moreira Salles, com “Próteses de Proteção”, posteriormente adaptado para o teatro. Também integra o elenco de “Os Fantasmas Gentis”, de Caetano Gotardo, selecionado para o Festival de Brasília.
Sobre a experiência com a obra de Laerte, destaca:
— Eu gosto de explorar projetos que fazem rir sem ser óbvios, com acidez e crítica. Tenho vontade de me experimentar muito mais nessa vertente, no cinema e na televisão — afirma.
Créditos: Érica Magni (texto) Divulgação (imagens).






