
O que faz uma história chegar ao público — e, principalmente, fazer com que ele queira assistir? Essa foi uma das perguntas que movimentaram os debates sobre o futuro do audiovisual durante o Rio Market 2026. Executivos da Globo e do Disney+ discutiram escolhas de conteúdo, formatos e estratégias para conquistar uma audiência cada vez mais exigente.
O primeiro painel, “Streaming: O que o público quer ver?”, reuniu Alex Medeiros, Head de Conteúdo de Ficção da Globoplay e Globo Filmes, e Mônica Albuquerque, vice-presidente de Conteúdo Original Brasil do Disney+. A conversa foi mediada por Rodrigo Fonseca, crítico de cinema do Correio da Manhã RJ e da C7nema.net.
Para Medeiros, a produção nacional é um dos principais diferenciais da Globoplay e da Globo Filmes. A experiência acumulada pela Globo com novelas e séries ajuda a construir uma identidade própria, baseada em histórias brasileiras e personagens com os quais o público possa se reconhecer.
— Esse é um entendimento importante, voltando à questão do público, porque se você olhar as nossas séries, nossos grandes sucessos, nós temos “Os renegados”, agora “Emergência 53” e “Jogada de risco”, são séries que falam de situações, personagens e conflitos muito propriamente brasileiros e que também conversam com toda uma tradição das novelas — explicou.
Já Mônica Albuquerque destacou a busca do Disney+ por uma identidade cada vez mais ligada à produção nacional. A plataforma, que chegou ao país sustentada por um catálogo internacional de grandes franquias, agora amplia o investimento em histórias brasileiras e planeja, a partir do próximo ano, lançar um conteúdo original por mês, entre ficção e documentários.
— A gente sempre deve partir desses dois temas: o que o público quer ver e que histórias a gente quer contar, porque a sensação que eu tenho, sobretudo aqui no Brasil, é que o papel do conteúdo é quase terapêutico. A nossa audiência quer se ver nessa história, quer ter a possibilidade de, vivendo a vida do outro, pensar na própria vida e nas suas relações. Por isso, é tão importante trazer temas comuns, que falem com todo mundo e temas específicos que digam a respeito da nossa realidade — definiu.
A conversa ainda rendeu um pequeno spoiler do que vem pela frente. Mônica revelou os próximos lançamentos da Disney+, “Virando o jogo” e “Trinta e tantos”. Na Globoplay, Medeiros adiantou novidades como “Verônika com K” e a quinta temporada de “Arcanjo renegado”.
A televisão aberta também entrou na discussão. No segundo painel, “O Papel da Televisão Aberta na Indústria do Audiovisual Brasileiro: TV Globo”, Gabriel Jacome, diretor de Conteúdo da TV Globo, falou sobre o desafio de fazer com que a produção audiovisual alcance um público cada vez maior.
Para o executivo, o aumento no número de filmes e séries produzidos no país não encerra o processo. Pelo contrário: abre uma nova questão sobre como essas obras chegam às pessoas. Nesse cenário, ele destacou a importância de festivais como o Festival do Rio, que ajudam produções alternativas a encontrar espaço, público e reconhecimento.
Jacome também chamou atenção para uma característica da televisão brasileira que, segundo ele, diferencia a Globo de emissoras abertas de outros países: a presença constante do cinema na programação.
— A televisão aberta na maioria dos países, inclusive em países chamados desenvolvidos, como Estados Unidos e países da Europa, não tem uma tradição de ter filmes na sua line-up, na sua programação. BBC, por exemplo, os grandes canais americanos, ABC e CBS, não têm a tradição de ter filmes como programação fixa na sua grade, e quando tem, é muito pequeno. E aqui na Rede Globo a gente tem esse histórico. Temos sessões de filmes de mais de 50 anos. Exibimos por ano 700 filmes, em todas as sessões. Então, mais do que uma janela, é um compromisso, é uma responsabilidade e um espaço de formação de público — explicou.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e Eny Miranda (imagens)





