‘É também minha história’

outubro 21, 2025

Neto de Tom Jobim fala da responsabilidade de levar ao palco o repertório do álbum que uniu seu avô a Elis Regina em 1974

Entre os anos de 1974 e 1975, a então gravadora Philips (hoje Universal) promoveu encontros entre os grandes nomes que compunham seu elenco. E, assim, Gilberto Gil e Jorge Ben juntaram-se no LP “Ogum & Xangô” e Chico Buarque e Maria Bethânia uniram-se num show histórico que culminaria num álbum ao vivo. E, entre os feitos, um álbum dos mais primorosos já realizados por dois artistas brasileiros: o que aproximou Tom Jobim (1927-1994) de Elis Regina (1945-1982).

O encontro, inimaginável até então, resultou em “Elis & Tom”, obra-prima gravada em Los Angeles (onde Tom morava na época) e que, como tal, segue indelével entre as grandes discografias universais desde seu lançamento, em 1974. Esse repertório será recriado por dois talentos da nova geração, sendo um deles descendente do Maestro Soberano: o pianista Daniel Jobim, neto de Tom, e a cantora Kell Smith.

A apresentação acontece nesta quinta-feira (23), no Teatro Casa Grande, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. E Daniel fala sobre a responsabilidade de reproduzir no palco o repertório de um projeto que fez (e faz) as cabeças de gerações de cantores e instrumentistas desde seu lançamento, poucos mais de um ano depois de Daniel nascer.

– Durante toda a minha vida, presenciei de perto o quanto esse trabalho transformou a música brasileira, conquistando novos fãs a cada geração e se tornando eterno. Essa também é a minha história – esclarece o herdeiro musical sem fugir do peso da responsabilidade: – É um privilégio poder continuar cantando e tocando os corações das pessoas com as músicas do meu avô.

Era o ano de 2018 quando o instrumentista conheceu o trabalho de sua colega de palco. E a qualidade vocal da intérprete foi uma das características que chamaram a atenção de Daniel, como ele rememora:

– Encantei-me com sua voz, sua potência vocal, afinação e interpretações lindas que ouvi das músicas de Elis cantadas por ela. Juntos, vamos mostrar ao vivo, para todas as gerações, as músicas e arranjos incríveis do álbum.

E só tinha de ser mesmo com eles.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Deivide Leme (imagem)

 

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