Divino maravilhoso

novembro 17, 2024

Caetano Veloso homenageia Belchior em show no Ceará e encerra de vez desavença com o saudoso compositor. Entenda

Caetano Veloso e Maria Bethânia têm rendido homenagens a figuras notáveis dos estados pelos quais a turnê do show “Caetano & Bethânia” passa país afora. E, no Ceará, onde cantaram no último sábado (16), não foi diferente. Os irmãos saudaram a memória de Belchior (1946-2017)ao incluírem no roteiro “Mucuripe”, canção em parceria com Raimundo Fagner e imortalizada na voz de Elis Regina (1945-1982).

Bethânia já incluíra trecho de “Galos, noites e quintais” em espetáculo recente, mas, com o tributo, Caetano põe uma pá de cal numa antiga desavença em torno de seu nome e o do colega, nascido em Sobral (CE).

Os dois nunca foram próximos, e isso vem muito do posicionamento de Belchior a uma espécie de hegemonia dos artistas baianos (chamados, na época, de “BaiHunos” pelo pessoal d’ O Pasquim). Belchior disparou petardos em direção a Caetano em algumas de suas canções.

O mais célebre deles é certamente o de “Apenas um rapaz latino-americano”. Na canção, lançada no álbum “Alucinação”, Caetano, então com 34 anos, é pintado como “um antigo compositor baiano”.

Na mesma canção, Belchior rebate ainda o conceito de que tudo é divino, maravilhoso, difundido em “Divino maravilhoso”, canção de Caetano e Gilberto Gil lançada por Gal Costa (1945-2022) em fins dos anos 1960.

As antigas mágoas dissiparam-se pelo vento que sopra as velas no Mucuripe. Melhor assim.

Crédito da imagem: Davi Rocha

 

Posts recentes

Tudo outra vez

Nova edição de livro sobre os últimos anos de vida de Belchior ganha lançamento no dia em que cantor completaria 80 anos

‘Me pegaram de surpresa’

Roberto Menescal, um dos precursores da bossa nova, fala de álbum de remixes que antecipa as comemorações por seus 90 anos