Há os atores que imprimem a própria personalidade aos personagens que interpretam. E há os outros – os grandes – que transmutam-se completamente. E Beth Goulart pertence a esta seara. E dá, mais uma vez, provas disso em “Simplesmente eu, Clarice Lispector”, solo apresentado por ela há muitos anos, intercalado com outras de suas recentes – e excelentes – incursões teatrais.
A atriz está de volta ao Teatro Fashion Mall, no Rio de Janeiro, onde o espetáculo começou, aliás, sua bem-sucedida e longeva jornada. E quem sobe ao palco não é Beth, mas Clarice, reavivada em minúcias que vão dos gestos ao timbre, com ecos do idioma original da escritora, que acabaria por naturalizar-se brasileira.
E esta volta da filha pródiga à casa que a consagrou foi prestigiada por talentos como Luiz Fernando Carvalho, admirador de Clarice e diretor do elogiado “A paixão segundo G.H”, longa adaptado do romance homônimo pela sempre competente roteirista Melina Dalboni.
E não foi só Carvalho que ficou estupefato. Reação semelhante teve Ingra Liberato, tomada também pela emoção, para orgulho do sempre cordial Marcus Montenegro, agente de Beth e de muitos dos atores ali presentes.
Clarice é capaz de provocar esses arrebatamentos. E Beth não fica atrás.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Vera Donato (imagens)











