Coautor de hinos em louvor do feminino e do seu empoderamento (quando a expressão nem sequer existia), Ivan Lins dedicou “Vitoriosa” a Preta Gil (1974-2025). A homenagem deu-se na noite do último sábado (26), e a canção foi um dos 32 temas elencados (alguns como vinhetas ) no roteiro do show com que o compositor celebrou, no palco do Vivo Rio, os 80 anos que completou em junho.
Com um cancioneiro pleno de obras-primas, talvez a forma mais prática fosse a elencar as canções em medleys. Mas o cantor e compositor lançou mão do talento de arranjador para agrupar os temas em suítes, dando ainda mais dinamismo ao show, dirigido com sensibilidade por seu primogênito, Claudio Lins.
O ator e cantor também participou, como antecipado aqui, da noite, que contou ainda com Leila Pinheiro e Fafá de Belém. E coube a Claudio a missão de cantar com o pai a mais que apropriada “Aos nossos filhos”, canção pungente imortalizada por Elis Regina (1945-1982) desde que foi incluída no show “Saudade do Brasil”, cujo repertório, levado ao estúdio, originou o LP homônimo, lançado em 1980.
E por falar na Pimentinha, Claudio também interpretou “Cartomante”, canção de viés político comumente associada a Elis num set emocionante e aberto ainda pela tocante “Meninos de Gaza”.
E o show continuou com “Lembra de mim”, deixa para Leila entrar em cena. E a cantora fez bonito ainda no sambalanço “Madalena” e em “Samba da bênção”, de Baden Powell (1937-2000) e Vinicius de Moraes (1913-1980), abrindo alas à folia do Ivan que, como intérprete, é capaz de dar às canções alheias um toque personalíssimo.
E a temporada de participações seguiu com Fafá, chamada ao palco para “Bilhete’, lançada originalmente por Ivan, mas que Fafá, de forma atrevida (no melhor dos sentidos) pegou para si. E o set seguiu com a não menos apropriada “Lua soberana”, cuja levada remete aosritmos trazidos do Norte por Fafá, em idos dos anos 1970.
E o aniversariante e seus convidados uniram seus timbres em “Novo Tempo”, a cereja do bolo. E Ivan Lins chega aos 80 trilhando um caminho pelo qual passamos, todos nós, ainda mais vivos. Para que nossa esperança seja mais que vingança.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Ricardo Nunes (imagens)






