Carnavalizar não é só festejar: é método, gesto político e invenção coletiva. A exposição “Carnavalizar: método e invenção” abriu ao público na quarta-feira (11), na galeria Flexa, no Rio de Janeiro, marcando o início do programa de 2026 do espaço.
Com curadoria de Daniela Avellar e direção artística de Luisa Duarte, a mostra parte da ideia de carnavalizar como verbo — uma ação capaz de reorganizar corpos, espaços e formas de convivência. Longe de uma leitura folclórica ou documental, a coletiva propõe o carnaval como estado: um campo de criação cultural, sensível e política, forjado sobretudo nas comunidades negras urbanas como resposta às múltiplas violências históricas.
Ao reunir obras de diferentes tempos e gerações, a exposição articula repertórios que atravessam o corpo coletivo, as materialidades da festa, ritmos como o samba e o funk e arquiteturas vernaculares. O carnaval surge menos como imagem e mais como experiência — quase abstrata —, afirmando o ato de carnavalizar como forma de conhecimento e possibilidade de projetar futuros.
Entre os 27 artistas presentes, Hélio Oiticica (1937-1980) aparece como referência incontornável: sua vivência com a Mangueira e com a inteligência comunitária das escolas de samba foi decisiva para a criação dos parangolés. Já Joãozinho Trinta (1933–2011), nome central da história do carnaval carioca, surge de maneira indireta, retratado em um quadro da série “Fotos de Revistas”, de Vik Muniz.
Crédito das imagens: Cristina Granato










