“Dorme, neném, que a Cuca vem pegar”… Ou “Cuidado com a Cuca/ Que a Cuca te pega/ Te pega dali/ Te pega de lá”… Criatura híbrida entre mulher e jacaré, a Cuca povoou o imaginário de gerações de crianças desde que sua figura foi popularizada como uma das personagens centrais de “O Sítio do Pica-pau Amarelo”, coleção de livros escritos por Monteiro Lobato (1882-1948) para o público infantil e que chegaria ainda à TV em diferentes versões entre os anos 1970 e os anos 2000.
Pois a Cuca é como Odete Roitman: não morre. Ela volta à baila no palco, mais exatamente em uma performance que une arte e novas tecnologias. “A Cuca” marca a volta do diretor e performer Renato Rocha aos palcos após um hiato de quase 15 anos. A performance ocupa, a partir desta sexta (06) o Futuros – Arte e Tecnologia, no Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro.
– Minha filha pequena me perguntou certa vez se o mundo ainda existiria quando ela crescesse e, a partir daí, comecei a pensar no espetáculo – explica o artista, destacando que a sua Cuca é diferente daquela que amedrontava a criançada e a ele próprio: – Ela é uma guardiã, uma entidade ancestral presente em diversas culturas indígenas e invocada em rituais de transmissão de saber e memória.
O fato de voltar aos palcos aliando performance e artes visuais a novas tecnologias também é celebrado por Renato, cuja criação teatral mais recente foi o elogiado “Eu, Moby Dick”, cujo cenário reproduzia o esqueleto de uma baleia a partir de cadeiras de plástico.
– Foi aqui que, antes de sair do Brasil, realizei “Mistério Bufo”, trabalho que me projetou internacionalmente – relembra sem disfarçar a alegria por retornar ao espaço que o consagrou: – Voltar tem uma dimensão simbólica e afetiva profunda. E não poderia ser mais apropriado do que fazê-lo, sendo esse espaço onde arte, tecnologia, memória e futuro se cruzam.
Exatamente como a arte e os pensamentos desse criador.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Bruna Zaccaro (imagem)





