“É uma burrice exaustiva para quem sente e para quem sofre”. O diagnóstico é feito por Fernanda Torres sobre um sentimento que acompanha a humanidade há milênios: o ciúme. Já o jornalista Nelson Motta é certeiro: “O ciúme é baseado na insegurança, não no comportamento do outro. Pessoas inventivas sofrem muito mais com o ciúme”.
Nanda e Nelsinho são apenas dois dos 12 nomes – todos brilhantes nas áreas em que atuam – entrevistados pelas psicanalistas Maria Helena Carneiro da Cunha e Renata Salgado para um projeto feito a quatro mãos (e a muitas vozes): “Os ciúmes” (7 Letras). A obra reúne entrevistas realizadas pela dupla e na qual os convidados expõem suas visões sobre o tema, revelando até mesmo vivências pessoais sobre o assunto.
A edição foi lançada na noite da última sexta-feira (02) e levou à Livraria da Travessa de Ipanema amigos, muitos deles famosos, das autoras. O cinema foi representado pelos diretores Walter Salles e Aluizio Abranches. O ator Caio Blat também levou seu abraço às amigas.
A literatura fez-se fortemente presente. O romancista Bernardo Carvalho (também entrevistado pelas autoras a partir de seu livro “Simpatia pelo Demônio), Clarisse Escorel (cujas obras merecem atenção) e a poeta Luísa Musnich pintaram também por lá.
O bom jornalismo marcou presença com Sérgio Augusto, Maria Lúcia Rangel e por Mauro Ventura. Ele, ao lado da irmã, Elisa Ventura, fizeram sua primeira aparição pública após a perda recente do pai, o grande Zuenir Ventura (1931-2026).
Caetano Veloso diz na canção que “o ciúme lançou sua flexa preta”. E foi com a garganta – não ferida, mas embargada pela emoção – que Maria Helena e Renata receberam os amigos – e eles não são poucos.
Em comum, o desejo de vê-las brilhando. E o ciúme, aliás, passou longe de todos ali.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Miguel Sá (imagens)













