“Sou uma falésia onde cada pássaro/vem aprender a arte de não voar”. Assim, Geraldo Carneiro define-se em “Odisseu”, um dos textos que abrem “ensaio sobre o mar” (Nova Fronteira), coletânea com a qual ele celebra suas cinco décadas de poesia.
Do ponto de vista da sua solidez, o poeta é, sim, uma falésia. E se este é um lugar propenso ao repouso e à contemplação – e, justo por isso, às inutilidades – esta é uma das funções da poesia, portanto. E alguns dos muitos amigos que Carneiro tem aceitam esta proposta. E por isso compareceram, na noite da última quinta-feira (24), à Livraria da Travessa do Shopping Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro.
A Academia Brasileira de Letras, da qual o poeta é integrante, fez-se presente por alguns de seus membros. Entre eles, o romancista Antonio Torres, o poeta Paulo Henriques Britto, os jornalistas Merval Pereira e Godofredo de Oliveira Neto e o linguista Ricardo Cavalieri.
O autor tem também trajetórias consolidadas na música, na TV e no teatro, onde, no caso da primeira, atua como letrista e, no das duas últimas, como roteirista, dramaturgo e tradutor. E as artes foram muito bem representadas por Rosamaria Murtinho, grande dama dos nossos palcos e da TV; pelas cantoras Olívia Hime e Leila Pinheiro, pelo apresentador Tadeu Schmidt e pela novelista Manuela Dias.
E alguns dos textos foram lidos por pessoas ligadas à trajetória do poeta, como a atriz Bianca Byington, irmã da primeira mulher do escritor, Elisa Byington, e pela atual companheira e musa do poeta, a também escritora Ana Paula Pedro.
“Amou o semelhante e o diverso/ o que não soube dizer em prosa/virou verso”, nos diz também ele no livro. E, em se tratando de Geraldo Carneiro, o teor do verso é tão alto quanto uma falésia.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Cristina Lacerda (imagens)










