Caetanear: o que há de bom

agosto 7, 2025

No dia em que Caetano Veloso completa 83 anos lembramos de outras facetas artísticas do aniversariante. Vem saber!

Um dos mais importantes compositores brasileiros completa, nesta quinta-feira (07), 83 anos. Estamos falando simplesmente de Caetano Emanuel Viana Teles Velloso, popularmente conhecido como Caetano Veloso.  O artista chega à nova idade não com a alma saturada de poesia, como ele próprio apregoou em “O Homem Velho”, gravada por ele em “Velô” (1985), mas com a alma ainda transbordante de poesia. O tempo só fez  bem a ele, a mais completa tradução do “Homem Vinho”, retrato do artista pintado por Rita Lee (1947-2023) em 1997, quando o homenageado tinha 55 anos.

NEW MAG celebra seu aniversário mostrando que Caetano vai além da música, seara na qual brilha como autor e exímio intérprete. Ele flertou também com o cinema, atuando e dirigindo; com a escrita (crítica, jornalística e ensaística) e, lá nos primórdios, com a pintura e o desenho. A seguir, algumas das facetas deste que é um dos mais importantes pensadores brasileiros da atualidade.

Cores, nomes

Caetano estava mesmo predestinado a ser artista. Em Santo Amaro da Purificação (BA), sua cidade natal, ele demonstrou desde cedo aptidão à pintura. Esse viés artístico foi resgatado por ele no clipe de “Noite de Cristal”, gravada em “Meu coco” (2021). No vídeo, Caetano faz um retrato da irmã Maria Bethânia, intérprete original da canção, lançada por ela no álbum “Maria” (1987), como pode ser visto aqui.

‘foram as imagens que assombraram’…

Caetano Veloso em Londres no início dos anos 1970, época em que colaborou para ‘O Pasquim’

Apaixonado por cinema (em especial pela novelle vague e pela Era Dourada do cinema italiano), Caetano chegou a colaborar como crítico para a imprensa baiana, tendo textos publicados em veículos como O Archote, na sua cidade natal, e no Diário de Notícias, em Salvador. Durante o exílio europeu, enviou textos para O Pasquim e, anos mais tarde, colaborou para a Folha de São Paulo e como cronista dominical em O Globo. Esse material foi reunido em livro sobre o qual falaremos mais para frente…

‘Merda pra você’

A paixão e o interesse pelo cinema levaram Caetano a trabalhar como ator em produções de alguns dos mais importantes diretores do nosso cinema. Sua estreia à frente das câmeras dá-se em “Os herdeiros” (filmado em fins dos anos 1960 e lançado em 1970), de Cacá Diegues (1940-2025). O compositor chegou a interpretar Lamartine Babo (1904-1963) em “Tabu” (1982), de Júlio Bressane, com quem voltaria a trabalhar em “O Mandarim” (1995). Caetano aparece como ele mesmo no curta “Bethânia bem de perto – A propósito de um show” (1966), de Bressane e Lauro Escorel, e em filmes de Cacá Diegues (“Orfeu”, de 1999) e de Pedro Almodóvar (“Fale com ela”, de 2002).

Cinema transcendental

Caetano filma “O cinema falado”, lançado em 1986

Cinéfilo desde a juventude, Caetano fez uma única incursão pela direção cinematográfica. Ela se dá com o arrojado e vanguardista “O cinema falado” (1986). Trata-se de uma experimentação na qual o diretor une as falas de importantes pensadores, interpretadas por nomes como Hamilton Vaz Pereira e Dedé Gadelha, a cenas de intenso lirismo como a do registro de seu irmão Rodrigo sambando no quintal dos Velloso, em Santo Amaro. Caetano dirigiu também o clipe de “O estrangeiro”, canção-título do LP lançado em 1989.

A letra dos livros voa…

Caetano teve seus textos, muitos deles escritos para a imprensa, reunidos em livro pela primeira vez em 1977, quando foi lançada “Alegria, alegria – Uma caetanave organizada por Waly Salomão” (Pedra Q Ronca). No entanto, o primeiro livro pensado como tal é “Verdade tropical” (Cia das Letras, 1997), reunião de textos híbridos entre ensaios e a memórias. Já “Todas as letras” (Cia das Letras, 2022) reúne a parte lírica do seu vasto cancioneiro. Sua fortuna crítica para o cinema foi organizada por Claudio Leal e Rodrigo Sombra e reunida em “Cine subaé – Escritos sobre cinema (1960-2023)” minucioso trabalho que traz também textos sobre o tema escritos recentemente pelo artista.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto), Cristina Granato (foto alto) e divulgação (demais)

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