O teatro brasileiro teve uma das suas maiores celebrações com a entrega do Prêmio APTR. O evento chegou,na noite da última quarta-feira (09), à sua 19ª edição homenageando, como antecipado aqui, três grandes nomes: Irene Ravache, Renato Borghi e Tony Ramos, em cerimônia apresentada por Luiz Fernando Guimarães e Jéssica Ellen no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro.
Tony Ramos foi homenageado com o Troféu Marília Pêra pelos 60 anos de carreira e por seu recente retorno aos palcos com a peça “O que só sabemos juntos”, após duas décadas de hiato. Surpreendido no palco, o ator recebeu a homenagem das mãos de Amaury Lorenzo, que interpretou o capataz do personagem de Tony na novela “Terra e paixão”, da TV Globo. Lorenzo declamou o “Soneto da felicidade”, de Vinicius de Moraes (1913-1980), antes de cantar “Eu sei que vou te amar” ao lado de Kelzy Ecard.
— Passei em casa só pra ficar limpinho antes de vir pra essa que é a nossa casa: o teatro. Estou em cartaz em São Paulo, mas não poderia faltar. Já são 61 anos de palco. Levei um susto com essa homenagem — brincou Tony, emocionado, que completa: — “Eu sei que vou te amar” é a música minha e da minha companheira, Lidiane. Estamos juntos há 56 anos.
Entre os premiados, o espetáculo “Prima Facie”, estrelado por Débora Falabella, foi o grande vencedor da noite com cinco troféus, incluindo Atriz em Papel Protagonista e Direção (Yara de Novaes). Já o prêmio de Espetáculo ficou com “Ordinários”, da companhia de circo e teatro LaMínima e dirigido por Alvaro Assad.
Outra laureada foi Valéria Barcellos, outra atriz de “Terra e paixão”, que venceu como Atriz em Papel Coadjuvante por sua atuação em “A palavra que resta”. Ela foi às lágrimas ao subir ao palco:
— Bom estar com o meu nome aqui e não numa lápide. Não é comum ver uma pessoa como eu ganhando prêmios — disse Valéria, muito aplaudida, e também parabenizada no discurso de Tony.
A noite ainda reservou mais emoção com a premiação de Othon Bastos, aos 92 anos, como Ator em Papel Protagonista, por “Não me entrego, não”. O público o ovacionou de pé por vários minutos.
— Era pra ficar dois meses em cartaz, estamos há um ano. Cada colega meu aqui merecia esse prêmio — afirmou.
A cantora Eliana Pittman interpretou “Maria, Maria” em homenagem a Irene Ravache, grande homenageada da noite ao lado de Renato Borghi. Ela foi reverenciada por Marcos Caruso.
— Fui ver “A ratoeira” aos 16 anos e, quando acabou, soube que era aquilo que eu queria pra vida: estar no palco — relembrou Irene.
Ítala Nandi chegou a se ajoelhar ao entregar o troféu para Renato, que também emocionou-se em seu discurso:
— Tudo que se faz no Rio de Janeiro está lançado para o mundo. Estou muito feliz de estar aqui recebendo esse prêmio. Quero dedicar essa homenagem a Zé Celso Martinez Correia e a meu companheiro que está há mais de 30 anos trabalhando comigo: Elcio Nogueira Seixas.
A cerimônia contou com a presença do secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Lucas Padilha, do arquiteto Miguel Pinto Guimarães, do ator Mouhamed Harfouch, do diretor Maurício Farias — acompanhado da esposa, a atriz Andréa Beltrão, entre outras personalidades na plateia.
Para encerrar a noite, Fernanda Abreu e Sandra de Sá tomaram o palco com os clássicos “Tudo vale a pena” e “Olhos coloridos”, celebrando a diversidade das produções teatrais e levantando o público.
Crédito das imagens: Cristina Granato





















