Aclamação merecida

outubro 17, 2025

Zezé Polessa é aplaudida por talentos das artes em solo no qual mantém vivo o canto livre de Nara Leão

Nara Leão (1942-1989) foi uma cantora múltipla. Cantou o que quis e transitou com desenvoltura por diferentes estilos musicais. A ponto de ser ela a pedra fundamental do que conhecemos como MPB, sigla para Música Popular Brasileira. Até o lançamento de “Nara”, em 1964, os LPs traziam nas capas o gênero ao qual estavam segmentados como samba (e seus subgêneros), bolero ou bossa-nova.

Então é crucial que uma artista tão versátil seja interpretada por uma atriz tão multifacetada quanto. E essa intérprete é Zezé Polessa, que, a exemplo de Nara, está sempre se reinventando por não tolerar nenhum tipo de estagnação.

E ela dá mais um exemplo disso em “Os olhos de Nara Leão”, solo escrito e dirigido por Miguel Falabella.  E por falar em olhos, eles, os da plateia,  saltaram das órbitas durante a sessão para a classe artística realizada na noite da última quinta-feira (16), em São Paulo, onde Zezé terminou a apresentação aplaudida de pé por um Teatro Renaiscence lotado.

A cantriz foi ovacionada por colegas como Marisa Orth e Maytê Piragibe, por talentos da escrita como Gabriel Chalita e Duca Rachid e, claro, por estrelas da música como Patrícia Marx e Kiko Zambianchi, além de Ciro Barcelos e Bayard Tonelli, remanescentes do revolucionário Dzi-Croquettes. 

A plateia contava ainda com a atriz Julianne Trevisol, num look que aludia ao de Nara,  e com  Marcus Preto, idealizador dos derradeiros trabalhos de Gal Costa (1945-2022), ao lado de quem Nara esteve ao levantar a bandeira da Tropicália. E todos foram reunidos ali pela dupla de promoters Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho.

E a noite fluiu como naquela expressão usada por Nara para o título do LP no qual reuniu seus amigos em 1977: um barato. E não poderia ser diferente em se tratando de Nara e de Zezé.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Andy Santana/Brazil News (imagens)

 

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