‘A última Doce Bárbara’

julho 26, 2025

Diretor do filme sobre os Doces Bárbaros fala que o registro do aniversário de Preta Gil foi “no calor do momento”

Em torno da mesa de doces, amigos e familiares cantam o “Parabéns a você”. A aniversariante tem apenas 2 anos e observa tudo nos braços de sua madrinha, que vem a ser, já desde aquela época, uma de nossas mais importantes cantoras. A artista em questão é Gal Costa (1945-2023), e a aniversariante, Preta Gil (1974-2025). E, pouco atrás de ambas, Luciana de Moraes (1956-2011), uma das filhas de Vinicius de Moraes (1913-1980), e então com 18 anos.

A festinha foi registrada pela equipe de Jom Tob Azulay que, naquele ano de 1976, acompanhava a turnê pelo país dos Doces Bárbaros, o mítico conjunto que (re)uniu Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal para celebrar, como idealizado por Bethânia, os dez anos de carreira que os quatro completavam naquele ano.

O registro do aniversário de Preta acabou veiculado recentemente por todas as emissoras de televisão do país em razão da morte da artista, no último domingo (20). E Jomico, como é carinhosamente conhecido no meio artístico, falou ao NEW MAG como foi documentar aquela celebração.

– Algumas das cenas incluídas no filme foram registradas no calor dos acontecimentos,  e o aniversário da Preta foi uma delas.  Decidíamos fazer alguns dos registros na medida em que eu ia sendo informado sobre o que estava por vir – recorda-se o cineasta reconhecendo o feito: — Ainda bem que estávamos no aniversário da Preta.

Jom Tob acompanhou de perto a rotina dos quatro baianos durante a turnê, que passou por capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis (SC), onde,no dia 08 de agosto de 1976, Gil foi detido pelo porte de maconha. Esse e outros acontecimentos estão no filme, item de suma importância a quem se interessa por música brasileira.

Um fato fascina o diretor no LP com o registro do show: a foto da capa. Nela, os quatro estão deitados com os rostos surgindo de cada um dos ângulos da capa sem ninguém sobrepor-se.

– Foi uma sugestão do fotógrafo (Orlando Abrunhosa) para que todos ali tivessem o mesmo peso por se tratar de um conjunto musical. Sempre que vejo essa capa, fico embevecido de ver como eles estão parecidos – pontua Azulay, também codiretor com Roberto de Oliveira do documentário “Elis e Tom – Só tinha de ser com você”.

Os Doces Bárbaros fascinam e influenciaram novas gerações de artistas. Um exemplo está no hoje desfeito Bala Desejo, quarteto formado por nomes como Zé Ibarra e Dora Morelenbaum. E, em matéria de frutos e desdobramentos, Tob é categórico:

– A Preta é a última Doce Bárbara.

Só não vê quem é otário.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e reprodução (imagem)

Posts recentes

Antagonismo complementar

Artistas abrem no Rio de Janeiro individuais em que vão além dos limites impostos pela tela