‘A realidade está incompreensível’

setembro 25, 2025

Danielle Winits fala da experiência de trabalhar com Gerald Thomas pela primeira vez em solo no qual interpreta catadora de lixo

Danielle Winits está nos preparativos finais para viver seu mais novo desafio na carreira. Pela primeira vez ela estará no palco dirigida por Gerald Thomas, na peça “Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente”. A estreia vai acontecer no dia 02 de outubro no Teatro Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

O monólogo traz Danielle interpretando múltiplas personagens na montagem que mistura humor, crítica social e observações sobre as contradições humanas. O texto original é da norte-americana Jane Wagner, encenado pela primeira vez em 1985 nos Estados Unidos, quando ficou marcado pela atuação de Lily Tomlin.

Agora, sob direção de Thomas, a obra ganha uma atualização que dialoga com as transformações culturais e tecnológicas das últimas quatro décadas.

— Sim, o mundo mudou muito rápido nesses últimos quarenta anos. Em 1985 não haviam redes sociais ou IA, a teoria de Andy Warhol de que todos iriam ter seus 15 minutos de fama ainda era uma fantasia longínqua e não um pesadelo psicopático. Se, em 1985 ainda se tinha amigos, hoje tem-se “seguidores” e a palavra lixo significava somente sujeira e não crise ou calamidade. — explica o diretor, que prossegue: — O mundo de Huxley e Orwell eram temidos, mas agora, talvez, através dessa epidemia de “influencers”, os jovens estarão, de fato, condenados a desaprender tudo aquilo que a história nos ensinou. Entraremos em uma era de deletação, de apagamento. E isso não está na peça de Wagner.

Dentre as diferentes personagens que Danielle levará ao palco, haverá uma figura central: a consultora criativa que, após enlouquecer (ou não), passa a viver como catadora de lixo, convencida de que extraterrestres entraram em contato com ela.

— Ela acredita que eles entraram em contato e querem descobrir, por meio dela, se ainda existem sinais de vida inteligente no universo. Simultaneamente, a personagem busca compreender quem são essas pessoas e o que elas representam no mundo de hoje. A dúvida que ela levanta é quase um paralelo ao “ser ou não ser, eis a questão”. Será que ela perdeu a sanidade? Ou foi a realidade que, de tão absurda, se tornou incompreensível? — diz a atriz.

O cenário, idealizado por Fernando Passetti em diálogo com referências do pop de Andy Warhol (1928-1987), se transforma ao longo da peça: uma torre que ora funciona como figurino, ora como espaço cênico, composta de objetos como latas de sopa Campbell, pacotes de Brillo e restos urbanos. Pinturas de Rinaldo Escudeiro reforçam esse imaginário, trazendo o rosto da própria Danielle ampliado em cena.

Após a temporada de estreia no Rio, a montagem segue para São Paulo, com apresentações na FAAP a partir de janeiro de 2026.

Crédito da imagem: Robert Schwenck

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