‘A democracia venceu’

setembro 28, 2025

Marisa Monte e Ney Matogrosso unem timbres e talentos em noite antológica no Rio de Janeiro

Foi o encontro entre dois gigantes da música. E entre duas das mais potentes e representativas vozes da MPB e da cena pop. Assim pode ser classificado o encontro entre Ney Matogrosso e Marisa Monte na noite do último sábado (27), em um dos mais aguardados shows do Doce Maravilha, festival que chegou à sua terceira edição no Rio de Janeiro.

Na verdade um reencontro, como lembrou Ney, anfitrião da noite, em alusão à participação de ambos em um show beneficente em 2023. Mas o repeteco mostrou os dois artistas ainda mais entrosados e — por que não? — afinados.

Chamado de “Deus” por Marisa, a cantora mostrou estar à altura do ídolo em cada um dos sete duetos apresentados. A começar por “Fala”, do repertório dos Secos e Molhados, grupo a partir do qual Ney ganhou a cena em 1973. Marisa arrebatou a plateia ao emular com um vocalize a linha melódica do teclado da gravação original, sendo ovacionada em cena aberta.

Se “O leãozinho” (Caetano Veloso) soou protocolar, a temperatura voltou a subir (e muito) nos duos seguintes, com os sempre discretos artistas fazendo um libelo pela democracia em “Coração civil”, de Milton Nascimento e Fernando Brant. Finda a canção, o coro de “Sem anistia!” ribombou na plateia.

— Vou fazer agora uma canção que há muito não canto e que há muito tempo não entra em trabalhos meus — declarou Ney dando a dica para atacarem de “O vira”, com Marisa arriscando-se em alguns passos da dança. E o clima contagiante seguiu com “Sangue latino”, fechando a tríade do Secos e Molhados.

E momentos mais emocionantes ainda estavam por vir. Após um rápido conluio entre cantores e músicos, eles seguiram ainda com “Balada do louco” (Rita Lee, Arnaldo e Sergio Batista) e encerraram a noite com a apoteótica “Pro dia nascer feliz”, de Frejat e Cazuza (1958-1990).

O show estava encerrado, e os artistas abriram ao público um plebiscito com “Coração civil” e “O vira”, que levou a melhor na contenda.

— A democracia venceu, e a gente adora a democracia — arrematou Marisa antes do bis.

E o público que lotou o Jockey presenciou um encontro mais que antológico; histórico. E que certamente fez com que o dia seguinte nascesse feliz.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e reproduções/Instagram (imagens)

Marisa Monte e Ney Matogrosso: encontro catártico no festival Doce Maravilha

Posts recentes

Antagonismo complementar

Artistas abrem no Rio de Janeiro individuais em que vão além dos limites impostos pela tela