O ano era 1992. Aquele calendário terminaria com o então presidente Fernando Collor de Mello renunciando ao mandato para livrar-se do impeachment. O Brasil festejaria o feito ao som de “Estrela primeira”, cujo verso “Tô na varanda, amor” estava nas cabeças e nas bocas. O tema consolidava a Banda Beijo nas paradas de sucesso e alçava Netinho, então com 26 anos, como Muso daquele verão e do Carnaval que já se prenunciava.
A Banda Beijo estava na crista da onda. O grupo integrava o cast da Polygram (hoje Universal), e vinha ao Rio de Janeiro participar de atrações de TV. A escalada do sucesso contou com a dedicação da equipe que trabalhava na assessoria de imprensa da gravadora. De três profissionais em especial: Isabel Rezende, Marcos Barros e Jane Barboza. Procurada por NEW MAG, Jane, hoje assessora de grandes nomes do samba, lembrou o convívio com Netinho, que faleceu na manhã desta terça-feira (13) aos 60 anos.
— Ele era doce, simpático, alegre e disposto a fazer o melhor para o trabalho – recorda-se Jane, que atuou na Polygram entre 1989 e 1996, ano em que “Milla” estourou num resultado que o grupo não conseguiu superar com outras músicas. — “Milla” foi o estouro total – complementa a jornalista.
As vindas ao Rio passaram a ser mais e mais frequentes. As demandas das TVs só cresciam, e a Banda Beijo poderia ser vista tanto no “Milk Shake” – programa apresentado por Angélica na hoje extinta TV Manchete – quanto no “Domingão do Faustão”, comandado ao longo de décadas por Fausto Silva na TV Globo.
O pique era puxado, mas havia tempo para jam sessions e cantoria. Os baianos hospedavam-se, na maioria das vezes, em um hotel na Barra da Tijuca. Mas não demoraria para um endereço no Leblon virar point da trupe, como lembra Jane:
— A Isabel morava ali na Venâncio Flores, no Leblon, num apartamento no térreo com uma área aberta que era uma graça. Ali, nos reunimos muitas vezes para ouvir música. Esses encontros podiam acontecer tanto em dias de folga quanto ao fim de um dia inteiro de trabalho.
Jane foi testemunha de um feito que acabaria por marcar a vida de Netinho. Ele era ainda vocalista da Banda Beijo quando conheceu a jornalista Mariana Trindade, com quem viria a casar-se em 1997 numa união que se estenderia até 2003.
— Vi o romance entre eles começar e fiquei feliz quando a Bruna, filha deles, nasceu – pontua a Jane, ressaltando que a época em que trabalhou com o cantor foi durante a permanência dele na Banda Beijo: — Depois ele seguiu carreira solo e saí da Polygram. Mas nunca esqueci do cara bacana que ele era.
O cara bacana que, através da sua voz e da sua música, fez mais do que incendiar Carnavais e verões: ajudou o samba-reggae a pavimentar o caminho que o levaria a ser conhecido – no Brasil e no mundo – como Axé Music. Axé, Netinho!
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação (imagens)






