‘O set é onde o mundo dá certo’

outubro 12, 2026

Isabel Teixeira e Grace Passô empatam e sagram-se vencedoras na categoria Melhor Atriz do Troféu Redentor
Os apresentadores Vanessa Giácomo e Rafael Inafente entre os realizadores do Festival do Rio: Marcos Didonet, Ilda Santiago, Walkíria Barbosa e Vilma Lustosa

O páreo era duro. Afinal envolvia duas atrizes que brilham no que fazem. E o resultado foi justo. Isabel Teixeira e Grace Passô empataram e levaram, juntas, o Troféu Redentor na categoria Melhor Atriz no Festival do Rio. O resultado foi muito festejado na cerimônia que, na noite do último domingo (11), laureou no Cine Odeon, Centro do Rio de Janeiro, nomes em sete premiações relacionadas ao festival, sendo a mais tradicional delas a do Júri Oficial da Première Brasil, que contemplou ganhadores em 19 categorias que incluíam as de Melhor Documentário (“Elza”, de Erik Rocha) e Melhor Curta (“Santo”, de Maria Luisa Alves) .

—  É o primeiro filme que eu faço. Eu sou uma iniciante concorrendo com uma veterana. Porque essa imersão do cinema, os atores, a equipe, a gente indo juntos para fazer o dia do filme. O set é onde o mundo dá certo. A gente estava lá juntos, cada um na sua maior potência, escrevendo uma história com luz – celebrou Isabel, laureada por sua atuação em “Diário do fogo”, de Maju de Paiva e Bernardo Florim.

Já Grace foi contemplada por sua performance em “A professora de francês”, de Ricardo Alves Júnior, que levou ainda os prêmios de Ator Coadjuvante (Pedro Goifman) e Trilha Original (Florencia Di Concilio). Grace Passô destacou o fato de as duas premiadas serem contemporâneas e perseverarem no ofício que as irmana:

— Eu estou muito honrada de estar com você (Isabel) também, grande atriz que é. Esse prêmio é muito importante para mim. São mais de 30 anos tentando entender e tentando também brincar com essa ideia que é atuar. E acreditando muito que a minha melhor coisa não é a profissão somente, mas atuar.

O festival chegou este ano à sua 28ª edição e exibiu, ao longo da programação, 101 produções brasileiras sendo que 45 delas competiram nas mostras oficiais. E a noite, que teve Vanessa Giácomo e Rafael Infante como mestres de cerimônias,  foi diversa, com profissionais de diferentes escolas e gerações sendo contemplados. Escolhido Melhor Ator por “London”, Victor di Marco, codiretor do longa com Marcio Picoli, chamou atenção para o fato de ser uma pessoa com deficiência (PCD) e para a importância de o festival ter na inclusão uma de suas bandeiras.

— Eu sou um ator com deficiência, e falo isso com muito orgulho. Eu tenho uma frase, num filme meu, que diz que a pessoas como eu só é permitido sonhar dormindo E é muito bom poder sonhar acordado – pontuou o ator, encorajando mais PCDs a fazerem valer suas vontades: — E eu desenvolvi uma técnica minha, porque a deficiência pode ser uma inteligência, a deficiência é algo sexy. E a deficiência é o futuro.

A Diversidade tem na premiação seu quinhão. O prêmio Felix contemplou brasileiras e estrangeiras como o documentário “Pai e pai (Father, Father)” de Jake Witzenfeld. Rita Von Hunty, personagem de Guilherme Terreri, foi escolhida a Personalidade do Ano pelo Prêmio Suzy Capó.

E a bandeira da Diversidade foi levantada em alguns dos discursos. Enquanto Grace Passô aproveitou para agradecer à companheira, o mesmo se deu com Matheus Farias. “A margem do rio”, codirigido por ele juntamente com seu companheiro, Enock Carvalho, foi escolhido Melhor Filme tanto pelo júri do Felix quando pelo da Première Brasil. E, nesta última, o longa levou ainda prêmios em categorias como Atriz Coadjuvante (Renna Costa) e Fotografia (Luciana Baseggio). Farias homenageou o companheiro e lembrou do próprio pai, uma das muitas vítimas que tiveram as vidas ceifadas pela covid no Brasil:

— Eles nos chamam de demônios, mas os demônios são eles. Nós vamos permanecer do lado certo da História. E no dia 25, vamos votar pelo fim do negacionismo, pela memória das mais de 700 mil pessoas mortas na pandemia, pela memória do meu pai, Francisco de Assis de Melo, a quem dedico esse prêmio.

O espírito de equipe foi apontado como uma mola propulsora para fazer cinema no país pelo diretor e roteirista Gabriel Martins. “Vicentina pede desculpas” levou três dos prêmios da noite: Melhores Direção de Ficção e Roteiro, além do Voto Popular para Melhor Longa de Ficção. Ele destacou a confiança nele depositada pelo produtor do longa, Thiago Maceiro.

— Desde o início até agora, ele (Maceiro) luta muito por mim, luta muito pelas minhas ideias, luta muito por nós, dá fim a tudo o que eu acho Eu acho que eu queria deixar esse agradecimento muito especial por essa luta que você faz diária para me proteger – reconheceu.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) Christian Rodrigues e Alex Gonçalves (imagens)

 

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