Abertura fulgurante

outubro 2, 2026

Festival do Rio é aberto com astros do cinema e da TV prestigiando filme-libelo contra a intolerância e pela diversidade
Reynaldo Gianecchini e Vanessa Giácomo (ao centro) entre as personalidades ladeadas por Vilma Lustosa (na ponta à esquerda) e por Walkiria Barbosa e Ilda Santiago (na outra ponta), realizadoras do Festival do Rio

Uma constelação de elevada grandeza pôde ser vista na noite da última quinta-feira (1º de outubro). E não foi necessário nenhum telescópio de máxima potência para avistá-la. O fenômeno pôde ser visto a olho nu. E aconteceu no Rio de Janeiro. Mais exatamente num dos mais tradicionais cinemas de rua da cidade: o Cine Odeon. Foi ali onde estrelas do cinema e da TV reuniram-se para prestigiar a cerimônia que abriu o Festival do Rio, que chega este ano à sua 28ª edição.

O longa espanhol “A bola preta (La bola negra)”, dos xarás Javier Calvo e Javier Ambrossi, abriu oficialmente o festival, que contou já com exibições na tarde daquele mesmo dia. A produção, distribuída aqui pela Paris Filmes, foi representada por uma de suas produtoras, a espanhola Esther Garcia que, como antecipado aqui, preside este ano o júri da Première Brasil.

Por volta das 18h20m já era grande o burburinho em frente ao cinema, na Cinelândia, Centro da cidade. E o vaivém no tapete vermelho foi intenso, com celebridades de diferentes gerações reunidas ali pelos promoters e empresários Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho.

A sétima arte foi representada por grandes nomes como o cineasta Bruno Barreto, acompanhado pela mãe, Lucy, e pela irmã deste, Paula. O clã foi merecidamente homenageado na abertura em razão das mais de seis décadas dedicadas pela LC Barreto, produtora da família, à realização de parte significativa do nosso cinema. Antonio Pitanga, ator-símbolo do Cinema Novo, e as cineastas-divas Lúcia Murat, Bárbara Paz e Rosane Svartman também prestigiaram o evento.

O quesito beldades das telas foi muito bem representado na noite. A começar por veteranas como Betty Faria, passando por Letícia Sabatella e culminando em Ísis Valverde, Alice Wegmann, Bruna Linzmeyer, Carol Castro e, claro, ela: Vanessa Giácomo, embaixadora desta edição do RioMarket, o braço de negócios do festival.

A noite teve como mestres de cerimônias os atores Cris Vianna e Reynaldo Gianechini. A dupla chamou às falas Ilda Santiago e Walkíria Barbosa, as bravas realizadoras do festival. O CEO da Paris Filmes, Marcio Fraccaroli, também foi chamado ao palco.

“A bola preta” é ambientado em três diferentes épocas da cena política espanhola e, no caso de uma das tramas,  mostra-se um bem realizado exemplo de meta-cinema ao inspirar-se em “La bola negra”, peça teatral de temática LGBTQIA+ na qual Federico Garcia Lorca (1898-1936) trabalhou até sua vida ser interrompida pela barbárie da ditadura Franquista. E a proposta de meta-cinema é evidenciada (olha aí o spoiler) nos momentos finais do longa, muito bem recebido pelo público, que, finda a exibição, seguiu para festa no Armazém da Utopia, na zona portuária.

O longa espanhol é apenas um dos 359 títulos que compõem a programação do festival, que agita a cidade – e os fãs de cinema – até o dia 11 deste mês. A edição comprova que o cinema é, senão a maior, uma grande diversão.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto), Roberto Filho/Brazil News e Christian Rodrigues/Festival do Rio (imagens)

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