Criado no último fim de semana, o movimento Fé no Futuro reúne lideranças evangélicas em uma articulação de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os nomes à frente da iniciativa está o do deputado federal e pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ). A mobilização dialoga com outras lideranças evangélicas que já manifestaram apoio à candidatura do presidente, como os pastores Ariovaldo Ramos, Kleber Lucas, Marco Davi de Oliveira, Danilo Gomes e Leonardo Borges, além de Nilza Valeria Oliveira, coordenadora executiva da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.
O lançamento reuniu no fim de semana representantes religiosos, militantes e apoiadores. Durante o encontro, Vieira destacou a importância do respeito às diferenças e defendeu uma atuação política orientada pelos princípios cristãos, com atenção à dignidade humana, à solidariedade e à defesa dos direitos sociais.
— Eu tenho fé na luta de vocês. Eu tenho fé na perseverança de vocês. Não é sobre mim, não é sobre a minha virtude. É sobre nós. Tudo o que nós temos é nós: trabalho, humildade, solidariedade — afirmou, convocando os participantes a ampliar o diálogo com a população.
A articulação ocorre em meio às iniciativas de aproximação da campanha presidencial com o eleitorado evangélico. Em setembro, o PT lançou materiais direcionados ao segmento, com referências bíblicas e informações sobre políticas públicas. A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito também formalizou apoio à candidatura de Lula e lançou um jingle voltado a esse público.
A proposta apresentada no encontro associa a participação política à defesa da liberdade religiosa e ao respeito à diversidade de crenças. Os organizadores também destacaram a necessidade de ampliar a presença de vozes evangélicas no debate público, especialmente em temas relacionados ao combate à desigualdade e à garantia de direitos.
E o debate sobre os limites entre religião e política também mobiliza a Igreja Católica. Na última quarta-feira (23), o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler, reafirmou que a instituição não apoia partidos ou candidatos. No domingo (27), a entidade divulgou uma nova nota esclarecendo que não integra estruturas político-partidárias ou candidaturas. A posição reforça a orientação dos bispos para as eleições de 2026, que defende a liberdade de consciência dos fiéis e a participação política orientada pela dignidade humana, pelo bem comum e pela justiça social.
Os números da Quaest divulgados nesta segunda-feira (28) ajudam a dimensionar a disputa pelo voto evangélico. No cenário de primeiro turno, Lula registra 27% das intenções de voto, ante 23% na semana anterior. Já Flávio Bolsonaro (PL) registra 46%, ante 49% na semana passada. Em uma eventual disputa direta, o presidente soma 30%, enquanto o senador alcança 54%. Realizada entre os dias 24 e 27 de setembro, a pesquisa ouviu 2.004 eleitores. Para o recorte evangélico, a margem de erro é de quatro pontos percentuais.
Créditos: Érica Magni (texto) Reprodução/Instagram (imagens).





