Mestre do jornalismo com labor

setembro 22, 2026

O corpo de Zuenir Ventura, que faleceu aos 95 anos, será velado na ABL e sepultado no mausoléu reservado aso imortais

Muito mais do que um jornalista; um humanista. Assim, de uma maneira apressada (típica da labuta jornalística) pode ser definido Zuenir Ventura. Representante do jornalismo exercido com excelência, escritor best-seller e mestre da crônica, Zuenir faleceu nesta terça (22), aos 95 anos. O corpo do escritor será velado nesta quarta-feira (23), na Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual era integrante. O enterro será no mausoléu reservado aos imortais no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.

Como jornalista, Zuenir esteve envolvido na cobertura – e na elucidação – de acontecimentos marcantes na vida nacional. Um deles foi o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, em 1988. Quando o Brasil parecia estar mais interessado em saber quem matara Odete Roitman, personagem de Beatriz Segall (1926-2018) na novela “Vale tudo’, Zuenir empenhou-se em jogar luz sobre aquele crime bárbaro. Ele acabou por atuar como uma espécie de tutor da única testemunha do crime: Genésio Ferreira da Silva, então com 13 anos e cuja integridade precisava ser preservada.

Este é apenas um dos muitos feitos de Zuenir que levaram-no a ser homenageado em 2008 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ele foi reconhecido na ocasião como um dos cinco jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos Direitos Humanos no Brasil. De fato, Zuenir sempre foi na profissão um ponto para além da curva. E esta marca foi latente ao longo da sua trajetória, que inclui publicações como Veja e o Jornal do Brasil, de cujo Caderno B foi editor ajudando a fazer dele referência no segmento.

Seus livros “1968 – O ano que não terminou” e, anos depois, “Cidade partida” são bíblias àqueles que se interessam pela História recente do país e pelas transformações pelas quais o Rio de Janeiro passou nas últimas décadas. O escritor ingressou na ABL em 2014, ocupando a cadeira de número 32.

Zuenir vivia recluso nos últimos anos em razão da idade avançada e de complicações relacionadas à saúde. Ele deixa a mulher, a também jornalista Mary Ventura, seus dois filhos – o jornalista Mauro Ventura e a empresária Elisa Ventura, ex-editora e dona da rede de livrarias Blooks – e netos.

Nesses tempos em que os jovens repórteres creem que a profissão pode ser feita pura e simplesmente via whatsapp, Zuenir Ventura precisa ser eternizado como um exemplo de que o bom jornalismo se faz com comprometimento e dedicação.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto), divulgação (imagem alto), Eliana Caruso (imagem 1), Cristina Granato e ABL

Entre grandes: com João Bosco, Luis Fernando Veríssimo, Marília Kranz e Luiz Gravatá
Em família: Zuenir e Mary cercados pelos filhos, nora e pelos netos em lançamento recente de livro de Mauro (no alto ao centro)
Com Fernada Montenegro na ABL

MAIS LIDAS

Posts recentes

Talentos em cena

Semana Paulista de Dança reúne grandes nomes do segmento no MASP em cinco dias de espetáculos

Saúde é o que interessa

Carla Barros, símbolo de beleza nos anos 1990, mostra que cuidar da saúde é a chave para manter-se plena

Rigor absoluto

Personalidades prestigiam abertura de coletiva com mestres da arte abstrata do Brasil e do exterior