Quando Carlos Jardim deixou recentemente uma carreira de pouco mais de quatro décadas dedicadas ao jornalismo, certamente algum de seus conhecidos deve ter achado a decisão uma temeridade. Não em se tratando de Carlos. A paixão pela notícia rivaliza com outro amor antigo: o nutrido pelo teatro. E esse amor está, pelo visto, sendo muito bem correspondido. Têm a chancela de Jardim dois grandes sucessos da atual temporada teatral do Rio de Janeiro.
São eles os solos “Mande notícias do mundo de lá”, primeiro monólogo da vida de Arlete Salles, e “Nelson Rodrigues – O passado sempre tem razão”, magistralmente estrelado por Bruce Gomlevsky. Carlos assina a direção e a dramaturgia de ambas as peças, que, por coincidência, ocupam teatros no Shopping da Gávea, carinhosamente chamado de A Broadway Carioca.
— É um momento muito especial poder levar ao palco o pensamento muito atual de Nelson Rodrigues e também um texto original meu sobre amizade, luto e finitude – celebra Carlos ao ser procurado por NEW MAG.
Se o dia a dia na lida com a notícia exigia sangue frio e seriedade, a relação com o novo ofício pede-lhe o mesmo comprometimento com a qualidade daquilo que levará ao ar – no caso o palco. Com um diferencial: esse trabalho pode ser desempenhado com leveza. E também com o tal do humor, sobre o qual pergunta outro Carlos, o Drummond de Andrade, no poema “Consolo na praia”. É ou não é, Jardim?
— As duas peças têm muito humor, o que acho precioso: falar de assuntos relevantes fazendo o público rir.
Por falar nisso, o diretor e dramaturgo tem belos motivos para sorrir. Ele trabalha com dois talentosos nomes da cena teatral. Arlete, patrimônio da TV e dos palcos, dispensa apresentações. Já Bruce é não somente um dos maiores talentos da sua geração como pode muito bem ser apontado como um ator que honra – e muito – a profissão.
— Dirigir dois artistas com tanta experiência e talento é um privilégio imenso. Só tenho a agradecer aos dois pela confiança – arremata Jardim.
Assim sendo, podemos dizer que Carlos Jardim tirou um bilhete premiado (dois, melhor dizendo). A mesma sorte tem também o público.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto), divulgação (imagem alto), Leo Aversa (foto com Arlete) e Dalton Valério (imagem Bruce)







