A poesia pode, de vez em quando, chegar aos olhos. E, num país como o nosso, chega também aos ouvidos. Alice Ruiz que o diga. A grande poeta, recentemente celbrada por completar 80 anos, será homenageada com o Troféu Tradições UBC 2026. O reconhecimento, da União Brasileira de Compositores, é dedicado às mulheres que ajudaram a construir a história da música brasileira.
— Vou tentar espalhar o máximo possível a notícia desse reconhecimento que a UBC me oferece através desse troféu. Porque da forma que a música está sendo divulgada, principalmente depois do advento do streaming, letrista virou fantasma. E se for mulher a invisibilidade é ainda maior. Por isso eu, como mulher e letrista, vibro e faço festa por receber essa homenagem — celebra Alice.
A entrega vai acontecer na próxima quarta-feira (26), na Casa de Francisca, em São Paulo. A noite terá um pocket show dedicado à obra da poeta, com direção musical de Gustavo Ruiz Chagas e participações de artistas convidados, que serão divulgados nos próximos dias.
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Alice construiu uma obra que transita entre literatura e música. Entre as composições que fazem parte de sua trajetória estão “Milágrimas”, “Navalha na liga” e “Sei dos caminhos”, parcerias com Itamar Assumpção, com quem ela escreveu mais de 20 músicas. Também estão em seu repertório “Penso e passo”, com Alzira Espíndola; “O amor que merece”, com Zeca Baleiro; e “Discreto”, com Chico César.
A artista teve ainda seus textos musicados por Arnaldo Antunes, José Miguel Wisnik e Luiz Tatit. Suas letras ganharam interpretações de Gal Costa (1945-2022), Cássia Eller (1962-2001), Ney Matogrosso, Zélia Duncan e Adriana Calcanhotto.
Antes de Alice, a honraria foi entregue a Anastácia, Dona Onete, Lia de Itamaracá, Alaíde Costa e Rosa Passos.
Créditos: Bruno Nunes (texto) e Cristhian Franz Tragni (imagem)





