‘Era apaixonada por ela’

agosto 18, 2026

Leona Cavalli fala do que a impressionava e a fascinava em Laura Cardoso, com quem atuou no cinema e na TV

O ano era o de 1998. Leona Cavalli lembra de chegar ao set de “Através da janela”, filme de Tata Amaral, com um ar mais apreensivo. Não, não era medo. Afinal, aquele ambiente não era para ela hostil. Era uma expectativa diferente das que experimentara ali. Leona iria contracenar pela primeira vez com uma atriz que ela admirava há muito. A colega em questão era já àquela altura uma de nossas maiores atrizes: Laura Cardoso.

Leona e a veterana iriam se encontrar novamente – e desta vez nos estúdios de TV. As duas voltaram a trabalhar juntas no remake de “Gabriela”, exibido pela TV Globo em 2012. E Leona reencontraria ali aquela colega que a impressionara antes pelo bom humor, pela versatilidade da interpretação e pelo domínio de técnica invejável. E, procurada por NEW MAG, a atriz elenca algumas das características que fizeram de Laura Cardoso soberana na arte que exerceu e da qual se despediu ao sair de cena na noite desta terça-feira (18), aos 98 anos.

— A Laura tinha a capacidade de tornar íntima cada uma das pessoas com quem trabalhasse, e ela fazia isso com muita facilidade e naturalidade. Lembro que isso fez com que me sentisse muito acolhida quando trabalhamos juntas pela primeira vez – recorda-se Leona, que já era fã da artista como ela mesma acentua: — Não tínhamos ainda trabalhado juntas, mas eu era já apaixonada por ela. Eu e todo o Brasil.

A versatilidade de a atriz transitar entre diferentes linhas de interpretação e alternar entre diferentes gêneros é uma das características que impressionaram Leona desde lá no set de “Através da janela”. E, num intervalo entre as filmagens, Dona Laura comentou com a colega onde havia forjado tal técnica:

— Ela transitava entre o drama e a comédia com uma familiaridade impressionante. Era incrivelmente cômica e incrivelmente dramática. E imprimia a seus personagens diferentes tipos. No teatro é perfeitamente possível o ator trabalhar com tipos, mas na TV isso pode ficar exagerado. Com a Laura ficava excelente. E, numa de nossas conversas, ela me disse que aprendeu a ser assim no rádio. O curioso é que, no cinema, ela sabia ser totalmente naturalista.

Mesmo com a evidência dos fatos, que dizem respeito à idade avançada da amiga, Leona constata que perder uma atriz do quilate de Laura Cardoso representa um vazio em todos aqueles que labutam na profissão.

— Num dia como o de hoje, todos nós, atores, ficamos muito tocados. Ainda mais em se tratando da Laura, uma atriz com uma contribuição imensa para este círculo em que a interpretação é a grande força motriz – arremata.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e arquivo pessoal (imagens)

Leona, Laura e Ivete Sangalo no remake de “Gabriela”

 

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