Militante da boa literatura

abril 4, 2026

Morre no Rio de Janeiro a poeta e editora Thereza Christina Rocque da Motta, tradutora de obras como “Marley e eu”

A literatura brasileira está de luto. Morreu, no Rio de Janeiro, a poeta, editora e tradutora Thereza Christina Rocque da Motta. A escritora tinha 69 anos e sofreu um infarto agudo na manhã deste sábado (04) na sua residência, em Niterói. O corpo da autora será velado na segunda-feira(06), das 10h às 13h, no Cemitério da Penitência, no Caju, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Thereza estreou na literatura em 1980, com a coletânea de poemas “Relógio de sol”. A este título seguiram-se outros como “Joio e trigo” (1982), “Areal” (1995) e “Folias” (1999), numa trajetória que abarca obras em prosa e em poesia, tendo dedicado a este gênero mais de 20 títulos.

Seu livro mais recente é “Os jardins de jacintos de Madame Sossostres”, lançado ano passado e que marcou sua volta à poesia após um hiato de 8 anos. A obra é composta por glosas poéticas a partir de versos de “A terra devastada”, obra de T.S. Eliot (1888-1965), um dos poetas considerados por ela fundamentais na sua formação.

Como tradutora, certamente seu trabalho que mais notabilizou-se foi sua tradução para “Marley e eu”, de John Grogan, que, por anos, ficou na lista dos livros mais vendidos no país. Sua tradução mais recente é a de “Você, Dona Gracia”, da francesa Michèle Sarde.

O ano 2000 marcaria para sempre a vida da poeta. Naquele ano ela entra para o mercado editorial ao fundar a Ibis Libris, cujos 25 anos foram celebrados por ela no ano passado. Como editora, Thereza lançou no Brasil “Dancing the dream”, de Michael Jackson (1958-2009) e foi a responsável por trazer de volta às livrarias, em 2001, “As marinhas”, obra-prima da poeta Neide Archanjo (1940-2022).

Pela sua casa editorial, ela lançou ainda obras inéditas de grandes nomes da literatura como Carlos Nejar e Carmen Moreno, além de lançar nomes como Alice Monteiro e Cristina Fürst.

Thereza era também militante da poesia e essa vertente era demonstrada na Ponte de Versos, encontro entre poetas criado na hoje extinta livraria Ponte de Tábuas, no Jardim Botânico, e que manteve-se ativo ao longo de 25 anos, tendo suas edições mais recentes na Blooks, livraria de Elisa Ventura.

Thereza era casada com o fotógrafo Fábio Giorgi e deixa quatro filhos, de dois casamentos anteriores. E deixa também órfãos uma legião de autores que, através do seu olhar crítico e generoso, ganharam vulto. Uma perda imensurável à literatura de hoje e de sempre.

Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e divulgação (imagem)

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