‘Adorava estar com eles’

janeiro 8, 2026

Diretor do filme sobre Jorge Fernando, João e Hilda Rebello fala do processo para realizar o longa: “chorei todos os dias”

Uma dinastia não se perpetua apenas num regime de governo ou na esfera política. Na arte, os exemplos mais comuns estão no circo e no teatro (Bibi, Fernandona, Tonia e Marília,valei-nos!) e, claro, na MPB. Na TV, um dos exemplos mais originais certamente é o de Chico Anysio (1931-2012). Nos anos 1980, outro nome fez suas diatribes, e estamos falando de Jorge Fernando (1960-2019). O ator e diretor trabalhou na telinha com a mãe, Dona Hilda (que entrou para o Guiness por sua estreia tardia na profissão) e com o sobrinho, João Rebello (1979-2024), que estrelou novelas como ator mirim e acabaria por abraçar os ofícios de Dj e diretor até ter a vida interrompida num crime bárbaro.

As trajetórias desses três artistas são contadas num file tocante. ”Fôlego – Até depois do fim” tem direção de Candé Salles a partir do roteiro de Maria Carol Rebello, irmã de João. As falas da roteirista são o fio condutor da narrativa, enriquecida com depoimentos de grandes nomes que trabalharam com a trinca como o novelista Silvio de Abreu e atores dos quilates de Tony Ramos, Claudia Raia, Mariana Ximenes e até mesmo do cantor Ney Matogrosso, amigo de Jorginho, como o diretor era chamado.

O filme teve sua estreia no ano passado, dentro do Festival do Rio, e chega este ano a festivais no Brasil e no exterior. Uma exibição no Rio de Janeiro restrita a convidados acontece na próxima terça (13), em evento da PRIO. A ideia do filme é antiga e teve, num primeiro momento, a bênção de João, a quem Candé chama de Woo em alusão ao nome artístico adotado pelo Dj:

– Quando Jorginho se foi, logo pensei com Woo na ideia de fazer um filme que não andou. Depois da tragedia que aconteceu com ele (João), procurei Maria Carol Rebello. E, juntos, criamos esse filme pra homenagear essa família tão especial. Carol escreveu o roteiro e dirigi o documentário.

Candé tinha exatos 20 anos quando conheceu João. A química entre eles foi imediata e não demoraria para ele ser apresentado a Dona Hilda. Algumas das festas onde João deu seus primeiros passos como Dj aconteceram justo no apartamento onde ele morava com a avó, em Copacabana.

Para Claudia Raia, Jorge Fernando “era quem melhor marcava”

– Woo tinha feito algumas novelas como ator e, depois, virou diretor e, em seguida, Dj e dos bons. Incontáveis as festas que fizemos juntos – rememora Candé destacando um local em especial: – As melhores foram no apartamento de Copacabana, onde ele morava com a avó.  Pela manhã (sim virávamos noite dançando) Dona Hilda aparecia e se deparava com a festa acontecendo (risos).  Fazíamos rodinha em volta dela sempre comemorando cada uma de suas aparições.

E não tardou para o jovem diretor conhecer aquele que contribuiu enormemente para o público ver-se de fato representado no circo eletrônico que é a TV: Jorge Fernando.

– Logo conheci Jorginho e seu jeito Claudia Raia de ser. Ele era Luz e alegria! Adorava estar com eles todos. Era sempre muita alegria e muita música – recorda Candé.

O processo de feitura do filme, entre filmagens, montagem e edição, colocou o diretor no limiar entre dois estados distintos: o da dor e o da alegria (“Chorei todos os dias filmando e editando esse filme”). Mesmo tendo conhecido os personagens tão de perto, o resultado foi ainda assim surpreendente para ele.

– Esse filme me fez perceber que os Rebello têm alma de uma família de circo, onde todos trabalham e se divertem juntos.  Uma família diferenciada na qual a matriarca (Hilda) começa sua carreira aos 66 anos e o Tio ( Jorge ) vira o mastro principal do circo deles. Eles respiravam arte e isso sempre me inspirou  – reconhece Salles incluindo no relato outro nome importante:  – Maria (irmã de Jorge ) sempre produziu os trabalhos dele e agora ela é a produtora de nosso filme.  Fiz pra Maria e dedico-o ao João. Com as armas de Jorge e o carisma de Hilda aprendi que devemos curtir a vida a cada momento porque nunca saberemos quando será o fim.

Então, antes que esta pauta encontre o seu.. Salve, Jorge! E João e Dona Hilda? Presentes!

Créditos: Christovam de Chevalier (texto), arquivos pessoais e divulgação

Jorginho e Candé: “Ele era LUZ”

 

 

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