‘Remeteu aos piores tempos’

agosto 21, 2025

Marieta Severo fala de agressões da Guarda Civil contra artistas do Teatro de Contêiner Mungunzá em São Paulo

A atriz Marieta Severo gravou vídeo em que manifesta sua indignação contra a ação truculenta da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo contra artistas do Teatro de Contêiner Mungunzá. A artista declarou ter revivido memórias dos tempos de ditadura ao assistir às imagens da operação. O registro foi publicado nesta quinta-feira (21) por uma de suas filhas, a também atriz Silvia Buarque, em uma rede social.

“Nós vivemos uma democracia plena, precisamos dela, gostamos dela, queremos viver nela, e esse tipo de cena não compactua, não pode acontecer na liberdade que precisamos, principalmente nas nossas artes, na nossa cultura”, completou Marieta,  proprietária do Teatro Poeira, no Rio de Janeiro, juntamente da atriz Andréa Beltrão

A atriz integrou, em 1968, o musical “Roda Viva”, dirigido por José Celso Martinez Corrêa (1937-2023) a partir do texto de Chico Buarque, cujo elenco foi alvo da violência do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) durante as apresentações em São Paulo. Atrizes do quilate de Marília Pêra (1943-2015) e Zezé Motta estavam entre as vítimas das agressões.

Marieta lembrou no vídeo a importância da arte como espaço de pensamento e democracia. “É com profunda indignação e tristeza que eu falo agora pra vocês de uma cena lamentável, horrível, que vi ontem e que, infelizmente, me remeteu aos piores tempos de uma ditadura, que vivi, onde os teatros eram invadidos, onde os atores eram ameaçados, e é um tipo de cena que nunca imaginei que pudesse voltar”, disse a artista.

A manifestação acontece após o Ministério Público de São Paulo oficiar o prefeito Ricardo Nunes (MDB) para que explique quem autorizou a operação realizada na última terça-feira (19). Agentes da GCM usaram gás de pimenta e chegaram a agredir artistas durante a retirada de equipamentos guardados em um prédio anexo ao teatro, na região central da capital. 

O MP abriu inquérito civil para investigar possível abuso de poder e improbidade administrativa por parte do prefeito e secretários municipais, além de questionar a ausência de mandado judicial que justificasse a ação.

Marieta recebeu apoio imediato de colegas de profissão. Responsável por divulgar o vídeo, Silvia Buarque escreveu: “Minha mãe tem propriedade para falar sobre violência contra as artes. Eu e ela disputamos sobre quem odeia mais gravar vídeos. Dessa vez, ela ganhou porque sua dor é nítida aqui. Mas essa história me doeu também.” Renata Sorrah resumiu: “Tempos tristes. Marieta falou por todos nós.” Malu Galli chamou a colega de “farol” e Cissa Guimarães reforçou: “Salve Marieta! Salve a democracia!”.

Artistas e estudantes de teatro ocupam o espaço em forma de resistência. Em assembleia, decidiram manter uma vigília permanente, com aulas públicas, apresentações e rodas de conversa. A mobilização segue ativa: na noite desta quinta-feira (21), o Teatro de Contêiner recebe um show gratuito do projeto Negras Melodias — que também se soma como ato político contra o despejo do grupo.

Créditos: Bruno Nunes (texto) e divulgação (imagem)

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