“Os primeiros 50”, autobiografia de Preta Gil lançada pela Globo Livros, estava escrita e, com o livro prestes a ir para a gráfica, Guilherme Samora, responsável pela edição, sentiu que ainda faltava algo. E perguntou à artista,que morreu no último domingo (20), se ela gostaria de fazer uma dedicatória a alguém, praxe muito comum entre autores.
– Ela me respondeu que sim e que iria pensar – lembra Samora na tarde desta quarta-feira (23), em depoimento ao NEW MAG, acrescentando um fato que o comoveu: – Entramos naquela fase final, que inclui aprovação de capa e retoques aqui e ali. Um dia, ela me ligou para dizer que gostaria que eu escrevesse a orelha. Agradeci e topei a missão.
No mesmo telefonema, Preta demonstrou também que não havia se esquecido da pergunta feita pelo amigo, como ele relata:
– Antes de desligar, Preta disse que já tinha a dedicatória. “Vou te mandar por e-mail”, encerrou ela. E me marcou muito quando li o que Preta havia me enviado…
E o último texto elaborado pela artista para a edição reza assim:
“Dedico este livro a Sol de Maria pois sei que, quando crescer, escutará muitas histórias a meu respeito. Algumas serão mentirosas, outras não. Aqui, eu tenho a chance de contar para ela a minha verdade (e para quem mais vier: meus bisnetos, sobrinhos…)”.
– O processo todo do livro, que durou anos, foi marcado por diversos momentos muito importantes e que levarei pra sempre comigo – arremata Samora.
E como reza aquela canção de Caetano Veloso, “a letra dos livros voa”. E voa mesmo. Em se tratando de Preta Gil, ela fulgura radiante.
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e reproduções (imagens)






