O cacique Raoni, hoje maior lidença indígena brasileira, era ainda jovem quando encantou-se por uma antropóloga paulista que visitava sua aldeia, no Alto Xingu (AM). O indígena propôs compromisso quando foi informado de que a moça estava noiva. Raoni não se fez de rogado e arregimentou cinco moças da sua etnia. O plano era ofertá-las ao tal noivo em troca do direito de esposar a visitante, que demonstrou-se irredutível. No fim do dia, Raoni tornou a procurá-la. Levava consigo presentes para ela e… para seu noivo. Foi a forma de demonstrar que estava conformado com a situação.
O episódio é um dos relatos inéditos garimpados pelo jornalista e escritor Edilson Martins para a nova edição de “Nossos índios, nossos mortos”. A obra volta às livrarias pela Letra Capital em edição revista e ampliada para marcar os 50 anos do seu lançamento. Os autógrafos acontecem neste sábado (21), na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no Riocentro.
Na época do seu lançamento, em 1975, com o país sob o regime de uma ditadura, o livro atingiu a impressionante marca de 350 mil exemplares vendidos. Edilson é responsável por outro feito: são dele as últimas imagens do sindicalista e líder seringueiro Chico Mendes. (1944-1988), brutalmente assassinado por fazendeiros locais. Parte delas foi utilizada no documentário “Chio Mends – Um povo da Floresta” (1989). Mas, como costuma dizer mestre Ancelmo, essa já é outra história…
Créditos: Christovam de Chevalier (texto) e Edilson Martins (imagem)






