‘Cultura não é gasto’

setembro 13, 2024

Presidente Lula e a primeira-dama prestigiam a Companhia Ensaio Aberto em inauguração de teatro no Rio de Janeiro

Oduvaldo Viana Filho (1936-1974) ajudou a modernizar a dramaturgia brasileira ao levar à cena questões – muitas delas sociais – relacionadas à vida do brasileiro comum. Com Vianinha, como ficou conhecido, a vida nua e crua passou a ser vista no palco. Esse autor ganha, cinco décadas após sua morte, merecida homenagem de uma companhia teatral afinada com seus ideais. Vianinha é agora o nome do mais novo teatro do Rio de Janeiro.

O espaço está integrado ao Armazém da Utopia, ocupado pela Companhia Ensaio Aberto na Zona Portuária da cidade. Funcionando desde agosto, a sala  foi oficialmente inaugurada na noite da última quinta-feira (12), com as presenças do presidente Luís Inácio Lula da Silva; da primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, e do ministro interino da Cultura, Marcio Tavares, além de representantes das classes teatral,  política e empresarial, como o presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa.

Do cinema, o diretor Ruy Guerra, grande expoente do Cinema Novo, e a produtora Lucy Barreto (que chegara naquele dia de Nova York, onde a LC Barreto fora homenageada) e o casal Walkiria Barbosa e Marcos Didonet, do Festival do Rio. Juntaram-se a nomes como Paulo Betti, Cristina Pereira e à cantora Teresa Cristina, reunidos ali pelos empresários e RPs Liège Monteiro e Luiz Fernando Coutinho.

O projeto aruitetônico, assinado pelo arquiteto e homem de teatro J C Serroni, é arrojado e permite ao espaço acolher diferentes propostas cênicas, de grupos estrangeiros, inclusive. E, para tanto, foi necessário um verdadeiro tour de force que inclui patrocinadores das esferas pública e privada que vão da prefeitura do Rio de Janeiro e instituições como a Estácio e o Instituto Yduqs, entre outras.

A cerimônia foi conduzida pelo diretor teatral Luiz Fernando Lobo e por Tuca Moraes, atriz e diretora executiva da companhia, atuante há 32 anos. As sete cadeiras no palco foram ocupadas pelo presidente, pela primeira-dama, por Tavares e por representantes da Shell, Instituto Cultural Vale e do BNDES, patrocinadores do empreendimento. A atriz Bete Mendes, grande entusiasta da companhia, juntou-se ao grupo e recebeu de Lula afetuosa menção.

–  Conheço a Bete Mendes desde criança, desde o tempo da novela “Beto Rockfeler” (exibida em 1968). Vocês, que não estavam ainda fazendo parte da Humanidade naquele período, vejam que acompanho essa menina há muito tempo e fico feliz de ver aqui pessoas que aprendemos a admirar e com as quais aprendemos a conviver – ressaltou Lula, reforçando os laços que o ligam à atriz: –  Um dia o PT a expulsou como deputada, mas a gente nunca perdeu nossa relação de respeito e nossa relação de amizade.

O presidente, que encerrava ali uma intensa agenda na cidade, acabou decidindo se pronunciar, quebrando o combinado de que pouparia a voz. E, na sua fala, destacou a importância da Cultura como pilar transformador da sociedade:

– É importante destacar que tudo isso que está acontecendo no Brasil é porque conseguimos conquistar de volta uma palavra a qual precisamos reaprender a dar muito valor, chamada democracia. A Democracia é o único sistema de governo que pode permitir que um metalúrgico como eu chegue à Presidência da República. E é a única coisa que pode dar condições para a Cultura ser vista como investimento e não como gasto. A Cultura é uma das formas de se fazer com que 213 milhões de brasileiros se manifestem da forma como querem e são.

Os benefícios trazidos pelo investimento no setor foram elencados pelo ministro Tavares, representando a ministra Margareth Menezes que está no exterior:

– O setor cultural gera 3,11 do PIB do Brasil, gera quase 7 milhões de empregos e traz comida à mesa, identidade e valores muito maiores do que qualquer contabilização financeira. O valor do investimento em Cultura é inestimável a um país que se quer nação e que voltou a se colocar entre as nações de forma altiva, sobretudo um país como esse, que tem uma das maiores diversidade s culturais do planeta e que tem na criatividade da sua gente as potências de transformação.

Crédito das imagens: Eny Miranda

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